ONU condena recrutamento infantil em cidade do Sudão do Sul devastada por conflito

Mais de 1,6 milhão de pessoas foram deslocadas internamente no país e outras 500 mil estão refugiadas no exterior por causa do confronto.

Uma representante do UNICEF se encontra com um grupo de crianças libertadas em 10 de fevereiro de 2014 de um grupo armado atuante no país. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Uma representante do UNICEF se encontra com um grupo de crianças libertadas em 10 de fevereiro de 2014 de um grupo armado atuante no país. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Os indivíduos responsáveis pelo recrutamento de soldados crianças no Sudão do Sul tem que ser responsabilizados pela violação do direito internacional, afirmou nesta quarta-feira (10) a representante do secretário-geral da ONU no país, Ellen Margrethe Løj.

Løj se disse estarrecida com o nível de destruição que ela testemunhou no mercado principal e no hospital de ensino da capital do estado de Alto Nilo, em meio a relatos de sequestro de crianças na comunidade de Wau Shilluk. Foi nesse local que 89 crianças foram raptadas recentemente, de acordo com o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF), e outras milhares de pessoas foram deslocadas de suas casas pelo conflito no país. De acordo com testemunhas, soldados armados cercaram a comunidade e vasculharam casa por casa à procura de meninos com mais 12 anos.

“Eu reforcei a importância de de responsabilizar aqueles que estão envolvidos nessa prática inaceitável e compartilhei com o vice-governador as garantias dadas a mim, no mês passado, pelo presidente Salva Kiir Mayardit que os meninos serão resgatados”, declarou a representante.

A situação da segurança no país mais novo do mundo tem se deteriorado profundamente no último ano desde que a luta política interna entre os dois líderes eclodiu em dezembro de 2013. As hostilidades logo se transformaram em um grande conflito que resultou na fuga de cerca de 100 mil civis para bases no Sudão do Sul mantidas pelas Missões da ONU (UNMISS). Em conversas com líderes locais, Løj ressaltou a importância das bases da UNMISS como forma de manter a paz e como um esforço para promover “um ambiente mais seguro para todas as pessoas que foram deslocadas de suas casas e permanecem no país.”

De acordo com a ONU, atualmente há aproximadamente 110 mil pessoas deslocadas vivendo em abrigos no Sudão do Sul, além de outras 1,5 milhão em todo o país que seguem desabrigadas e 500 mil refugiados no exterior. A ONU alerta que os números têm aumentado com o conflito em andamento.