Segundo a imprensa, governo confirma 95 mortos e 874 feridos na operação. Irmandade Muçulmana fala em ao menos 250 mortos. Manifestantes relatam 2,2 mil mortos e 10 mil feridos.

Homem ferido nos confrontos de 27 de julho de 2013 no Cairo. Foto: IRIN/Saeed Shahat
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condena nos termos mais fortes a violência desta quarta-feira (14) no Cairo, onde os serviços de segurança do Egito usaram a força para dispersar manifestantes e pediu esforço pela reconciliação inclusiva.
Segundo a imprensa, o governo confirma 95 mortos e 874 feridos na operação policial para desmontar acampamentos de manifestantes. A Irmandade Muçulmana fala em pelo menos 250 mortos. Já os manifestantes relataram a repórteres que o número de mortos chegaria a 2,2 mil e o de feridos a 10 mil. A ONU ainda tenta acesso a dados precisos.
A repressão acontece dias depois de Ban reforçar o pedido para que todas as partes no Egito reconsiderassem suas ações à luz de uma nova realidade política e evitassem mortes.
“O secretário-geral lamenta que as autoridades egípcias tenham preferido usar a força para responder às manifestações”, registra comunicado do porta-voz.
Ban enviou condolências às famílias e o desejo de pronta recuperação dos feridos.
“Após a violência de hoje, o secretário-geral pede que todos os egípcios concentrem esforços numa reconciliação verdadeiramente inclusiva”, acrescenta a declaração. O secretário-geral acredita que “a violência e a incitação de qualquer lado não são respostas para os desafios que o Egito enfrenta”.
Para Ban, a grande maioria do povo egípcio está cansada de rupturas causadas por manifestações e contramanifestações. O secretário-geral deseja que o país siga adiante pacificamente num processo liderado pelos próprios egípcios rumo à prosperidade e democracia. “O que é importante, para o secretário-geral, é que visões distintas sejam expressadas de forma respeitosa e pacífica”, explica o porta-voz.
O Egito passava por uma transição democrática após manifestações populares levaram à queda do presidente Hosni Mubarak. No mês passado, após novos protestos com dezenas de mortos e feridos, o Exército depôs o presidente Mohamed Morsi. A Constituição foi suspensa e um governo interino assumiu o poder.