Em reunião no Conselho de Segurança nessa terça (23), chefe de desarmamento da ONU confirmou evidências que ocorreu exposição a substâncias químicas como o composto Sarin na Síria, em 2016 e 2017.
“Este não é um problema para ser politizado”, disse a representante das Nações Unidas para o desarmamento, Izumi Nakamitsu, que destacou que a ONU “não pode ser neutra” nesse tema. A missão foi liderada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que atua com a ONU nas investigações.

Foto: ONU
As primeiras conclusões da missão de inquérito da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) na Síria encontraram provas em relação ao uso de mostardas de enxofre em amostras retiradas de um ataque em 16 de setembro de 2016.
Ao mesmo tempo, a análise de amostras coletadas em outro ataque no dia 4 de abril, em Khan Shaykhoun, revelou exposição ao composto Sarin ou uma substância semelhante ao Sarin, informou nessa terça-feira (23) a chefe de desarmamento das Nações Unidas.
“Esta é uma questão sobre a qual as Nações Unidas não podem ser neutras”, declarou Izumi Nakamitsu, chefe da ONU para Assuntos de Desarmamento, numa declaração ao Conselho de Segurança.
Dirigindo-se aos integrantes do órgão da ONU pela primeira vez desde sua recente nomeação, ela enfatizou que o uso de armas químicas por qualquer um – seja por forças governamentais, facções terroristas ou grupos armados de oposição – nunca poderia ser justificado, independentemente de provocação ou circunstância.
Segundo determinação do órgão da ONU, a OPAQ enviou uma missão de inquérito em duas ocasiões, após denúncias de uso de armas químicas em setembro de 2016 em Um Hosh, área rual de Alepo. Membros da missão realizaram entrevistas, coletaram depoimentos e revisaram documentos, além de considerar informações fornecidas pelas autoridades sírias, acrescentou.
Embora a situação de segurança tenha impedido a equipe de visitar o local do incidente, acrescentou Izumi, a OPAQ foi capaz de analisar amostras de sangue de duas vítimas que estavam na área do ataque. Segundo as amostras, as duas pessoas – ambas do sexo feminino – sofreram exposição a mostarda de enxofre.
Em relação ao incidente relatado em Khan Shaykhoun, no dia 4 de abril – foco de outro relatório da OPAQ solicitado pelo Conselho –, a representante da ONU informou que, após uma avaliação preliminar, uma missão de inquérito havia sido enviada para um país vizinho, realizando entrevistas e a coleta de amostras biomédicas do incidente. Recebeu também amostras biológicas de animais mortos que estavam perto do ponto de impacto suspeito.
Enfatizando que o relatório não era o final, Izumi informou que outros materiais e informações ainda estavam sendo analisados. A equipe de investigação planeja uma visita a Khan Shaykhoun, mas como a cidade não estava sob controle do governo, a OPAQ havia solicitado formalmente que as Nações Unidas prestassem apoio de segurança, logístico e operacional.
A representante da ONU destacou os recentes desenvolvimentos nos esforços de seu escritório para implementar a resolução 2118 do Conselho, de 2013, que trata do programa de eliminação de armas químicas declaradas na Síria. A situação relativa à destruição das instalações de produção de armas químicas da Síria permaneceu inalterada, observou Izumi, lembrando que a OPAQ havia verificado a destruição de 24 das 27 instalações declaradas. A situação de insegurança continuava a impedir o acesso seguro aos três locais restantes, acrescentou.
Segundo a funcionária da ONU, o Mecanismo Conjunto de Investigação da OPAQ-Nações Unidas está estudando os relatórios das missões de inquérito e manterá o Conselho informado sobre as próximas etapas.
Incentivando todos os Estados-membros a apoiar o Mecanismo, ela advertiu que o mundo não deve se acostumar com relatos de uso de armas químicas, enfatizando que seu ressurgimento não poderia ser visto como outra coisa senão uma violação do mais básico padrão do direito internacional. “Este não é um problema a ser politizado”, enfatizou.