A chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, criticou a ‘paralisia internacional’ para ‘deter os assassinos, destruidores e torturadores da Síria’ que provocaram uma catástrofe humana no país.
A chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, criticou a ‘paralisia internacional’ para ‘deter os assassinos, destruidores e torturadores da Síria’ que provocaram uma catástrofe humana no país.

Destruição causada em Yarmouk, Síria. Foto: UNRWA
A pedido do Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH), especialistas apresentaram uma compilação atualizada do número de mortos na Síria, totalizando mais de 191 mil casos entre março de 2011 e o final de abril de 2014.
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, explicou nesta sexta-feira (22) que o número registrado de mortes no país é o dobro do apresentado no relatório no ano passo. Isso acontece porque a nova compilação adiciona incidentes ocorridos nos primeiros anos conflito que foram só agora reportados, assim como novos casos cometidos nos últimos 12 meses.
Ela ressaltou, no entanto, que “tragicamente” essa estimativa não é final, já que possivelmente muitos outros casos que ocorreram nos primeiros anos do conflito não foram documentados.
Pillay lamentou que o surgimento de vários conflitos armados em diferentes partes do mundo tenha levado o sofrimento de milhares de civis sírios “para fora do radar internacional”. E voltou a pedir aos governos que “tomem medidas sérias para deter os combates e impedir os crimes e, acima de tudo, parem de alimentar essa monumental, e totalmente evitável, catástrofe humana através do fornecimento de armas e outros suprimentos militares”.
“Os assassinos, destruidores e torturadores na Síria foram fortalecidos e encorajados pela paralisia internacional”, disse a representante de direitos humanos. “Há alegações graves que crimes de guerra e crimes de lesa humanidade foram cometidos repetidamente com total impunidade, mas o Conselho de Segurança não conseguiu remeter o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional, onde ele claramente pertence”.
Cifras da violência
O estudo mais recente — o terceiro de uma série encomendada pelo ACNUDH — foi realizado utilizando uma lista combinada de 318.910 mortes relatadas, totalmente identificadas com o nome da vítima, bem como a data e local do óbito. Qualquer assassinato informado que não incluísse ao menos estes três elementos foi excluído da lista.
O maior número de assassinatos documentado foi registrado em Damasco (39.393), seguido por Aleppo (31.932), Homs (28.186), Idlib (20.040), Daraa (18.539) e Hama (14.690).
A compilação revela que 85,1% são homens e 9,3% mulheres. Quase 9 mil crianças e adolescentes também foram assassinadas. O número final de crianças e adolescentes mortos no conflito, no entanto, pode ser ainda maior, dado que a idade de 83,8% das vítimas não foi registrada.
Pillay lembrou que o sofrimento dos sírios representa “uma indicação real da época em que vivemos, que não só permite que essa situação continue da mesma forma por muito tempo, sem perspectiva de acabar”. Ela alertou que a violência no país já ultrapassou fronteiras, provocando por exemplo milhares de mortes e deslocamentos massivos também no Iraque e atos violentos no Líbano.
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