ONU: Conflitos na Ucrânia agravam condições humanitárias e causam mais mortes no país

Apesar das contínuas tentativas de mediar a paz, cresce o número de vítimas militares e civis. Áreas residenciais sofrem com bombardeios e grupos armados aterrorizam população com ações violentas.

Centro para deslocados internos em Slavyansk, na Ucrânia. Foto: ACNUR/E. Ziyatdinova.

Centro para deslocados internos em Slavyansk, na Ucrânia. Foto: ACNUR/E. Ziyatdinova.

Os embates atuais na Ucrânia continuam a causar mortes e a agravar a vulnerabilidade das condições humanitárias no leste do país, afirmaram dois funcionários das Nações Unidas ao Conselho de Segurança na última sexta-feira (24), ao alertar que a situação pode se tornar um conflito prolongado de baixa intensidade.

O assistente do secretário-geral para Assuntos Políticos, Oscar Fernández-Taranco, ressaltou que, apesar do frágil cessar-fogo, os resultados dos esforços para terminar o conflito entre as forças governamentais e as separatistas do leste da Ucrânia permanecem heterogêneos frente à perspectiva das eleições parlamentares, que terminam no começo de dezembro deste ano.

No entanto, Taranco disse ter esperança de que as eleições sirvam como um momento decisivo para a crise e para a estabilização do país. Depois de serem realizadas, deve ser rapidamente implementado um diálogo nacional abrangente, combinado com uma série de reformas políticas, legais e econômicas, acrescentou.

Apesar das contínuas tentativas de mediar a paz, o assistente do secretário-geral para direitos humanos, Ivan Šimonović, expressou preocupação com o crescente número de vítimas militares e civis. Áreas residenciais do leste da Ucrânia estão sendo alvos de bombardeios indiscriminados. Ao mesmo tempo, grupos armados continuam a aterrorizar a população com sequestros, mortes, tortura e outros graves abusos dos direitos humanos, como o desaparecimento forçado.

Šimonović ainda alertou sobre a vulnerabilidade da situação humanitária nas áreas controladas por grupos armados, em que muitas pessoas estão sendo privadas do acesso regular a água, eletricidade e serviços de saúde e de educação. Além disso, o alto índice de deslocados internos – que já alcançou mais de 430 mil pessoas – torna esta preocupação cada vez maior, principalmente com a chegada do inverno.