Cerca de 42 mil pessoas em Madaya sofriam com a fome, impossibilitadas de deixar o município por conta das hostilidades e minas terrestres. Desde outubro, nenhum comboio humanitário recebeu autorização para chegar à localidade. ONU pediu acesso irrestrito a zonas remotas e sitiadas para levar ajuda vital aos civis.

Em dezembro de 2015, uma família deixa sua casa no Leste de Ghouta, na Síria para um vilarejo menos perigoso dentro do perímetro. Mais de 400 mil pessoas estão presas em zonas sitiadas na Síria. Foto: UNICEF/Amer Al Shami
As Nações Unidas pediram nesta quinta-feira (07) acesso irrestrito para levar ajuda humanitária a pessoas em áreas remotas e sitiadas na Síria. No último ano, apenas 10% de todos os pedidos das agências da ONU para acessar essa parcela da população, estimada em 4,5 milhões, foi atendida. Paralelamente ao apelo, a ONU parabenizou o governo por autorizar o acesso de comboios com ajuda vital aos municípios de Madaya, Foah e Kefraya.
A declaração, divulgada pelo coordenador humanitário na Síria, Yacoub El Hillo, e o coordenador humanitário regional para a crise da Síria, Kevin Kennedy, ressalta uma grave preocupação com o sofrimento de centenas de milhares de pessoas sitiadas por diferentes partes do conflito em localidades como Deir Ez-Zor city, Daraya, Foah e Kafraya, bem como nas áreas cercadas do Leste de Ghouta, área agrícola em torno da cidade de Damasco e placo de uma das piores crises humanitárias no país. No total, calcula-se que 400 mil pessoas se encontram sitiadas em 15 localidades no país.
Em Madaya, cerca de 42 mil pessoas sofrem com a fome e inanição. Segundo informação recebida pela ONU, muitos morreram de fome e aqueles que tentam fugir da cidade são assassinados.
A nota destaca que as hostilidades impedem que a resposta humanitária alcance a população mais necessitada e que a presença de atores armados e minas terrestres compromete o livre movimento. Por conta dessas dificuldades e apesar dos diferentes apelos, desde 18 de outubro, Madaya não recebeu nenhum comboio humanitário e equipes médicas conseguiram realizar apenas algumas evacuações em dezembro.
Apesar da ação de entrega de ajuda humanitária nos próximos dias, a ONU lembra que o direito internacional humanitário proíbe os atores implicados no conflito de atingir os civis provocando inanição como tática de guerra. A Organização também reiterou seu pedido de acesso humanitário imediato e facilidades para evacuar, de forma segura, os civis de zonas remotas e sitiadas.