Com cerca de 400 mil sírios em áreas sitiadas pelas partes do conflito, ONU pede por mais acesso para ajuda humanitária. “Comida, água e remédios não são moedas de troca”, diz representante da Organização.

UNICEF comprovou que várias crianças em Madaya passavam fome. Ao menos 32 pessoas morreram de fome no último mês. Foto: ACNUR / I. Prickett. Foto: PMA/Al Saleh
A secretária-geral assistente de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Kyung-wha Kang, alertou na última sexta-feira (15) o Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Síria, reiterando que o órgão não pode deixar que mais sírios “morram sob a sua supervisão”.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 400 mil pessoas na Síria estão presas em áreas cercadas por diferentes partes do conflito: o Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIL), ou pelo governo e forças aliadas, grupos armados não estatais e a Frente Al-Nusrah.
“Comida, água e remédios não são moedas de troca ou favores que as partes do conflito possam conceder ou negar segundo a sua vontade”, afirmou Kang.
Ela ressaltou os insistentes pedidos da ONU pelo fim do conflito na Síria, pela proteção dos civis da violência e por acesso de assistência humanitária, afirmando que a maioria deles não foram respondidos.
Imagens angustiantes de fome e desnutrição em Madaya, na Síria, circularam pelo mundo recentemente. Segundo a representante da ONU, a cidade está sitiada e sua população passa fome, o que está sendo usado como “arma de guerra”.
No entanto, “existem 14 outras ‘Madayas’” pela Síria, informou Kang. Na segunda-feira(11) e na quinta (14), 130 caminhões chegaram a Madaya, Foah e Kafraya com assistência para 60 mil pessoas, com comida, remédios e equipamentos médicos. Uma terceira parte dos comboios, separadamente, ofereceu ajuda a mais de 37 mil pessoas em Waer e Homs.
A ajuda, porém, ainda alcança pouca parte da população sitiada. Em 2015, a ONU alcançou menos de 3% das áreas cercadas; em 2014, menos de 5%.
A Organização pediu na última semana por mais comboios inter-agências para levar assistência ao país, declarando que esses pedidos devem ser encarados como urgentes. Ela destacou a burocracia que foi imposta sobre as operações humanitárias, dizendo que esses procedimentos precisam ser simplificados.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) confirmou casos de severa desnutrição entre as crianças de Madaya, onde médicos com recursos limitados e o pessoal da ajuda humanitária relataram a morte de 32 pessoas por fome no último mês.