A brutalidade dos conflitos armados atualmente e a falta de respeito às regras fundamentais do direito internacional humanitário ameaçam conquistas e podem causar uma regressão a uma era de guerra sem limites.
Esse problema guiará as discussões da próxima Cúpula Mundial Humanitária, que ocorrerá nos dias 23 e 24 de maio em Istambul, Turquia.

Muitas famílias de refugiados na área de Akkar, Líbano, são de Homs e Talkalakh, algumas das cidades mais atingidas pelo conflito na Síria. Foto: OCHA
A brutalidade dos conflitos armados atualmente e a falta de respeito às regras fundamentais do direito humanitário internacional ameaçam 150 anos de conquistas e podem causar uma regressão a uma era de guerra sem limites.
Esse problema guiará as discussões da próxima Cúpula Mundial Humanitária, que ocorrerá nos dias 23 e 24 de maio em Istambul, Turquia. Mais de 125 líderes estarão reunidos para abordar algumas das questões mais importantes globalmente, com o objetivo urgente de aliviar o sofrimento de milhões de pessoas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insiste que os Estados-Membros da ONU aproveitem a oportunidade na cúpula para se comprometer com a proteção de civis e o respeito ao direito internacional.
A ONU estima que um 92% das pessoas mortas ou feridas pelo uso de armas explosivas em áreas povoadas são civis. Em 2014, 80% das vítimas de explosões de minas terrestres eram civis, uma média de 10 vítimas por dia, sendo a maioria crianças.
“Tornou-se frequente desrespeitar as regras mais básicas que regem a condução da guerra, o que cria novos riscos de que a aplicação dessas normas seja reinterpretada e confundida”, advertiu Ban Ki-moon na Agenda para a Humanidade.
“Quando os Estados desrespeitam ou prejudicam o direito internacional humanitário e os direitos humanos, também por meio de interpretações abrangentes, outros Estados e atores não estatais podem considerar essa atitude como um convite a fazer o mesmo”, acrescentou.
Educação também está na pauta da cúpula
Durante a Cúpula Mundial Humanitária, mais de 100 países, empresas e instituições filantrópicas unirão forças para criar avanços nos esforços de ajudar milhões de crianças cuja educação foi interrompida por conflitos e desastres naturais, anunciou na segunda-feira (16) o enviado das Nações Unidas para a educação.
O novo fundo denominado “Educação não pode esperar” será lançado na semana que vem durante a cúpula em Istambul.
“O fundo é projetado para atender as necessidades de 30 milhões de meninas e meninos deslocados, a maior população de refugiados desde 1945 — 20 milhões deles não têm escolha e não podem voltar para a escola”, disse por telefone o enviado especial da ONU Gordon Brown a jornalistas na sede das Nações Unidas em Nova York.
Brown destacou que ações devem ser tomadas urgentemente, pois o número de crianças perdendo escolaridade está se tornando uma “crise global em pleno desenvolvimento”. Ele ressaltou que o novo fundo pode ser a única chance de salvar uma geração perdida para a guerra, para o casamento infantil, para o trabalho forçado e para os recrutadores do extremismo violento.
O fundo buscará montantes substanciais de governos e empresas, sendo que o objetivo imediato é levantar 3,85 bilhões de dólares nos próximos cinco anos.
“Esta é uma geração perdida que devemos ajudar urgentemente. Vivemos em um mundo onde as necessidades dos refugiados não são temporárias, pois muitos deles passam mais de uma década fora do país”, disse Brown.
O novo fundo dará continuidade a iniciativas recentes na Síria que preveem escolaridade a 1 milhão de refugiados na Turquia, Líbano e Jordânia. Também irá atuar no Nepal, onde 900 mil crianças estão fora da escola devido aos terremotos, e no Sudão do Sul, onde um terço das crianças não vão à escola. A iniciativa também inclui a Nigéria, onde o grupo extremista Boko Haram fechou 5 mil escolas.