ONU: Crise humanitária na Síria e em países vizinhos já atinge 9,3 milhões de pessoas

Economia, turismo e produção local do Líbano, Jordânia, Iraque e Turquia já estão sendo prejudicados com a crise. Na Síria, agência da ONU bate recorde de assistência alimentar.

Três refugiados sírios exploram o acampamento de Darashakran, no norte do Iraque. Foto: ACNUR/L. Veide

Três refugiados sírios exploram o acampamento de Darashakran, no norte do Iraque. Foto: ACNUR/L. Veide

Em reunião nesta segunda-feira (4) em Nova York, a chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, informou os membros do Conselho de Segurança da organização sobre a situação humanitária na Síria.

“A situação humanitária na Síria continua a deteriorar-se rapidamente e inexoravelmente. O número de pessoas que estimamos estarem em necessidade de assistência humanitária na Síria subiu agora para cerca de 9,3 milhões. Destas, 6,5 milhões são deslocadas de suas casas, dentro do país”, disse o porta-voz das Nações Unidas, a partir de informações passadas por Amos.

“Em nome da comunidade humanitária, (Valerie) Amos continua a pressionar o Conselho pela sua ajuda e influência sobre as partes, que podem garantir a proteção de pessoas e de instalações civis, a passagem segura de pessoal e suprimentos médicos, a entrega segura e sem obstáculos de ajuda humanitária, bem como pode facilitar o progresso na expansão das operações de emergência”, completou o comunicado.

No sábado (2), o Grupo Regional da ONU para o Desenvolvimento afirmou que os países envolvidos na crise síria precisam urgentemente de ajuda para complementar os esforços humanitários despendidos aos refugiados do conflito.

Diretores regionais e representantes de mais de 20 agências das Nações Unidas estão reunidos na capital jordaniana, Amã, para estabelecer um plano focado no desenvolvimento da Síria e dos países da região.

Segundo o comunicado do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 97% dos refugiados da crise estão no Líbano, Jordânia, Iraque e Turquia.

“A crise está respingando nos países vizinhos e impactando o desenvolvimento econômico e humano desses territórios a nível nacional e local”, continuou o comunicado.

Setores-chave – incluindo investimento, turismo, comércio e produção local – estão sendo afetados em intensidades diferentes, afirmou a agência da ONU. A crise também está provocando tensões entre os refugiados e as populações desses países.

Recentes avaliações sobre o impacto do conflito nos dois países mais afetados pela crise, Líbano e Jordânia, mostram números preocupantes sobre o agravamento da deterioração das economias, com impacto direto sobre os rendimentos e níveis de pobreza, especialmente entre as populações mais vulneráveis.

Um estudo do Banco Mundial estima que, ao longo do período entre 2012 e 2014, o conflito sírio pode reduzir o crescimento real do PIB libanês em 2,9 pontos percentuais ao ano, levando a uma perda cumulativa de salários, lucros, impostos e investimentos de até 7,5 bilhões de dólares.

Além disso, o número de libaneses que vivem na pobreza extrema pode subir de 1 milhão para 1,17 milhão, enquanto a taxa de desemprego poderá dobrar para mais de 20%.

De acordo com o PNUD, as avaliações oficiais na Jordânia indicam que o governo investiu mais de 251 milhões dólares em 2012 para fornecer e manter os serviços e necessidades básicas dos refugiados sírios. O estudo também estima que os custos adicionais necessários para continuar a hospedagem dos refugiados podem chegar a 1,68 bilhão de dólares, excluindo os custos adicionais para os acampamentos.

Agência da ONU atinge recorde de assistência alimentar na Síria

Funcionários do PMA distribuindo alimento para famílias que fugiram de Yarmouk, Síria. Foto: PMA/ Bashar Elias

Funcionários do PMA distribuindo alimento para famílias que fugiram de Yarmouk, Síria. Foto: PMA/ Bashar Elias

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU afirmou na sexta-feira (1) que já está prestando assistência para quase 3,3 milhões de sírios, um recorde em suas operações. Porém, a agência também informou que ainda há muitas áreas isoladas pelo conflito, principalmente Damasco e os subúrbios da capital, onde as pessoas não estão tendo acesso a serviços básicos.

A porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs, disse que o objetivo da agência é atingir 4 milhões de pessoas até dezembro. Desde meados de 2012, o Programa Mundial de Alimentos já acessou 37 locais no país, como Daraya, Yarmouk, Hajar Aswad, Yalda, Babila, Sbineh, Douma, Jobar, Qaboon, Zamalka e Erbeen.

Mais de uma dúzia de caminhões com suprimentos estão a caminho da cidade de Aleppo, transportando comida suficiente para 75 mil pessoas, afirmou Byrs. Apesar disso, o município tornou-se uma das áreas mais difíceis de distribuição de alimentos nos últimos meses.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), há um número crescente de crianças sírias internadas em hospitais com desnutrição aguda e moderada. A agência da ONU também informou que faltam profissionais qualificados para lidar com a situação.