Crises atuais transformam a ‘responsabilidade de proteger’ em uma ação ainda mais urgente, diz ONU

Na Assembleia Geral, chefe da ONU discute a “responsabilidade de proteger”, um compromisso adotado na Cúpula Mundial de 2005 por todos os países-membros.  

Uma menina protege a sua irmã enquando espera para recolher sua ração de alimentos no Sudão do Sul, uma país que vive mergulhado em uma crise que já deixou 1,1 milhão de pessoas deslocadas internamente desde dezembro de 2013. Foto: UNICEF/Holt

Uma menina protege a sua irmã enquando espera para recolher sua ração de alimentos no Sudão do Sul, uma país que vive mergulhado em uma crise que já deixou 1,1 milhão de pessoas deslocadas internamente desde dezembro de 2013. Foto: UNICEF/Holt

Durante um encontro da Assembleia Geral, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, lembrou aos países-membros nesta segunda-feira (08) sobre a “responsabilidade de proteger”, um princípio adotado há cerca de 10 anos pela Cúpula Mundial de 2005, que incorpora uma determinação coletiva de combater crimes atrozes em todo o mundo. Em suas observações, ele afirmou que hoje este compromisso está sendo severamente testado à medida que o mundo vive uma série de conflitos que “chocam a consciência global”.

“Fechar os olhos para esses atos não é mais sustentável. Nossa responsabilidade para prevenir e proteger é coletiva e urgente”, disse ele que afirmou que as crises em curso no mundo mostram o fracasso e a incapacidade da ONU, dos países e da comunidade internacional para “enfrentar a ascensão da ideologia extremista que propaga o ódio e manipula as diferenças intercomunais para ganho político; o fracasso para proteger suas próprias populações; e reagir a sinais de alerta ou de responder adequadamente aos crimes atrozes que estão acontecendo”.

“Estamos nos aproximando do final da primeira década da responsabilidade de proteger. O princípio tem feito progressos sem precedentes. Mas agora precisamos construir sobre estas bases já concretizadas para elaborar uma visão ambiciosa para os próximos 10 anos e para agir decisivamente sobre nossas responsabilidades”, acrescentou.

A vice-presidente da Assembleia Geral, Isabelle F. Picco, lembrou que os estados-membros em 2005 afirmaram que a comunidade internacional tem a responsabilidade de proteger as populações contra o genocídio, os crimes de guerra, a limpeza étnica e os crimes de lesa humanidade. Por isso, enfatizou a responsabilidade conjunta de “dar vida aos relatórios, discussões e teorias” discutidas na ONU e “transformar o que discutimos nesta sala em algo relevante” para aqueles que sofrem com os crimes atuais.