A chefe humanitária das Nações Unidas no Iraque expressou profunda preocupação com informações de que meninos estão sendo enviados para áreas próximas às frentes de batalha, possivelmente para se unir a grupos armados que combatem a organização terrorista Estado Islâmico.

Crianças brincam em playground no campo de refugiados de Debaga, na província de Erbil, no Iraque. Foto: UNICEF/Lindsay Mackenzie
A chefe humanitária das Nações Unidas no Iraque expressou na quarta-feira (31) profunda preocupação com informações de que meninos estão sendo enviados para áreas próximas às frentes de batalha, possivelmente para se unir a grupos armados que combatem a organização terrorista Estado Islâmico.
“Envolver crianças no conflito é totalmente inaceitável”, disse a coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Lise Grande, em comunicado à imprensa emitido pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), expressando preocupação com informações sobre o recrutamento de crianças em ao menos um campo de refugiados no país.
“Nada é mais importante do que garantir a segurança de civis durante o conflito”, acrescentou. Grande também alertou que centenas de milhares de civis precisarão de proteção e assistência, dado que a batalha para retomar Mosul, a segunda maior cidade do país, deve começar em breve.
Lembrando que as leis internacionais proíbem todas as partes de recrutar menores ou utilizá-los em hostilidades e que isso requer que as partes garantam a proteção de civis e permitam a eles deixar as zonas de conflito com segurança, Grande disse: “sob nenhuma circunstância os civis podem ser usados como escudos humanos”. “Isso viola todos os princípios da humanidade”.
O comunicado acrescentou que atores humanitários no país emitiram um apelo em julho, pedindo 284 milhões de dólares para preparar uma resposta em Mosul. O apelo ocorre em contextos de desastre iminente que requerem uma resposta coordenada para além da capacidade de governos ou de somente uma agência da ONU. As agências humanitárias também buscam financiamento regular para 2016 com o objetivo de prover assistência a 7,3 milhões de iraquianos.
No entanto, até o momento, menos de 20% do apelo por recursos e apenas 53% dos 861 milhões de dólares necessários para operações em andamento de parceiros humanitários foram recebidos.
O comunicado também afirmou que a ONU está profundamente preocupada com informações de valas com corpos de milhares de civis em áreas anteriormente controladas pelo Estado Islâmico.
De acordo com o OCHA, a crise no Iraque é uma das maiores e mais complexas do mundo. Mais de 10 milhões de iraquianos necessitam atualmente de alguma forma de assistência humanitária, incluindo 3,4 milhões de civis deslocados internamente, alguns pela segunda ou terceira vez.