Em meio à ofensiva militar empreendida pelo Iraque para retomar a cidade de Mossul, o Escritório de Direitos Humanos da ONU informou que continua recebendo relatos de atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) contra civis, incluindo execuções sumárias e a utilização de civis como escudos humanos.

Mulheres e crianças iraquianas fazem fila, em Mosul, para receber comida no campo para deslocados em Debaga, na província de Erbil. Foto: UNICEF/Anmar
Em meio à ofensiva militar empreendida pelo Iraque para retomar a cidade de Mossul, o Escritório de Direitos Humanos da ONU informou na terça-feira (25) que continua recebendo relatos de atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) contra civis, incluindo execuções extrajudiciais e sumárias.
“Nós ainda estamos recebendo informações de que o ISIL continua usando civis como escudos humanos, forçando pessoas a se deslocar para locais onde combatentes do grupo terrorista estão baseados ou as impedindo de deixar outros lugares por razões estratégicas”, disse o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, em coletiva de imprensa em Genebra.
Citando relatórios preliminares, Colville disse que combatentes do ISIL foram responsáveis por matar 15 pessoas em Safina – uma aldeia a cerca de 45 quilômetros do Sul de Mossul – e jogar seus corpos em um rio, em uma tentativa de aterrorizar a população.
“Na tarde de 19 de outubro, na mesma aldeia, integrantes do ISIL amarraram as mãos de seis civis a um veículo e os arrastaram pelo local, supostamente por terem laços com uma pessoa que luta ao lado das forças governamentais”, acrescentou Colville, afirmando que os seis homens foram também espancados com paus.
Em outra ocasião, no dia 20 de outubro, forças de segurança iraquianas supostamente encontraram corpos de 70 civis dentro de casas no vilarejo de Tuloul Naser, a cerca de 35 quilômetros ao sul de Mossul.
Os corpos tinham ferimentos de bala, mas não se sabe ao certo, até o momento, quem foi responsável pelos assassinatos.
Colville acrescentou que os combatentes do ISIL também atiraram e mataram três mulheres e três meninas no vilarejo de Rufeila, além de ferirem outras quatro crianças. As vítimas foram assassinadas por estarem cem metros atrás de pessoas do mesmo vilarejo que estavam sendo obrigadas pelo grupo armado a deixar o local.
Segundo o porta-voz, elas ficaram para trás por esperarem uma das vítimas, que tinha deficiência física.
No último domingo (23), o ISIL relatou que matou 50 ex-policiais iraquianos que haviam sido sequestrados.
“Estamos com muito medo de que esses não sejam os últimos relatos de atos bárbaros cometidos pelo ISIL. Peço novamente às forças do governo e aos aliados que garantam que seus combatentes não se vinguem de civis que fogem das áreas controladas pelo grupo, e tratem todos os lutadores do ISIL capturados em conformidade com o direito humanitário internacional”, disse Colville.
Ele também expressou forte preocupação com as medidas severas tomadas por autoridades de Kirkuk contra as pessoas deslocadas internamente que vivem na cidade – após ataques surpresa dos combatentes na cidade em 21 de outubro.
“Na manhã de 23 de outubro de 2016, o Comitê de Segurança da província de Kirkuk e as Forças Asayish emitiram uma decisão, ordenando todas as pessoas deslocadas internamente que vivem fora dos campos em Kirkuk a desocupar suas residências até as 8h do dia seguinte”, afirmou Colville.
O ACNUDH destacou que tais expulsões devem ser razoáveis, e apenas realizadas como o último recurso, quando não há alternativa disponível, e afirmou que qualquer medida deve ser proporcional e não discriminatória.