Há um ano, militantes do ISIL atacaram cerca de 200 mil civis, a maioria deles de comunidades vulneráveis, forçando-os a fugir para a cidade de Sinjair.

Crianças Yazidis se alimentam em um acampamento para deslocados, após serem forçados a abandonarem seus lares. Foto: ACNUR/N. Colt
Funcionários das Nações Unidas reiteraram nesta quarta-feira (04) a necessidade de levar à justiça os autores da tragédia de agosto de 2014 no Iraque, em que militantes do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIL) atacaram cerca de 200 mil civis– a maioria deles de comunidades vulneráveis – levando-os a fugir para a cidade de Sinjar.
De acordo com a representante especial do secretário-geral para a violência sexual em conflitos, Zainab Hawa Bangura, as mulheres jovens estão sendo “vendidas” em mercados abertos, dadas como presentes a combatentes estrangeiros e traficadas para fins sexuais na região para levantar fundos e aumentar o recrutamento entre as fileiras do ISIL. Além disso, as mulheres e meninas também são usadas para a procriação forçada, para preencher o novo “Califado”, com crianças que podem ser criadas pela própria “imagem distorcida” do ISIL.
“Estes crimes terríveis de violência sexual em situações de conflito, que podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e /ou atos de genocídio, não serão esquecidos. A comunidade internacional está unida no objetivo de perseguir os responsáveis e forçá-los a prestar contas”, disse em um comunicado no aniversário de um ano da tragédia.
O representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jan Kubis, também condenou fortemente a estratégia terrorista contínua e deliberada do ISIL de atacar e exterminar comunidades inteiras com base na sua origem étnica, crenças religiosas ou fé. Ele afirmou que vários desses ataques podem constituir crimes de guerra ou contra a humanidade e lembrou aos instigadores e autores dos crimes cometidos contra as populações civis, etnias ou grupos religiosos que mais cedo ou mais tarde eles serão levados à justiça.