Desde o início do ano, os comboios humanitários de agências das Nações Unidas alcançaram 384 mil pessoas em áreas de difícil acesso, sitiadas, e em outras áreas prioritárias no país.

Famílias retiradas do leste de Ghouta, na Síria, reúnem-se no pátio do abrigo coletivo de Dahit Qudsayya para receber auxílio básico. Foto: ONU/Josephine Guerrero.
O assessor do enviado das Nações Unidas para a Síria reportou na quarta-feira (23) progressos nos esforços de alívio humanitário no país, com acesso a mais áreas, permitindo a entrega de kits médicos assim como de vacinas para crianças.
Ao falar com a imprensa em Genebra, Jan Egeland, assessor do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse que os comboios humanitários já conseguiram ou já obtiveram autorização verbal do governo para chegar à maior parte das 18 regiões sitiadas, com exceção de Darayya e Douma.
Na noite de terça-feira (22), um comboio de múltiplas agências da ONU, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho Árabe na Síria chegaram a Al Houla em Homs pela primeira vez desde outubro. Um comboio também chegou à região de Orem, oeste de Aleppo, durante o fim de semana.
“Atingimos agora até 384 mil pessoas desde o início do ano via comboios entre agências em áreas de difícil acesso, sitiadas, e outras áreas prioritárias”, disse.
Com autorizações verbais emitidas para oito ou nove das 11 áreas que a ONU pediu em abril, esse número deve dobrar nas próximas semanas, acrescentou.
Ele também informou que kits médicos entraram em Al Houla após intensas negociações. Mas material cirúrgico foi novamente retirado dos comboios. “É uma zona de guerra; civis e outros precisam de auxílio cirúrgico”, insistiu.

Membro de equipe médica da UNRWA realiza tratamento em bebê. Foto: ONU.
Sobre a campanha de vacinação, declarou que as crianças são simbolicamente importantes em um conflito, e especialmente nos esforços de paz. “Não há nada mais simbólico do que crianças conseguindo retomar a escola e sendo vacinadas contra doenças”, declarou, afirmando que 1 milhão de crianças em áreas sitiadas serão vacinadas até o fim de abril por meio de iniciativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
As ajudas áreas devem ser iniciadas em “dias ou semanas” em Deir ez-Zor, onde 200 mil civis, a maior parte mulheres e crianças, esperam auxílio, disse.

Menino tenta levantar caixa de comida de 35 kg em Yalda. Foto: ONU.
Paralelamente, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) informou que continuou suas operações humanitárias em Yalda pela sexta semana consecutiva.
Um time composto por dois médicos, duas enfermeiras e um assistente de farmácia foi mobilizado pela quarta vez desde fevereiro, quando a agência da ONU foi autorizada a retomar operações para ajudar civis vulneráveis em Yarmouk, Yalda, Babila e Beit Saham. A equipe médica tratou 253 pacientes somente na quarta-feira (23), entre eles 114 mulheres e 78 crianças.