Recentes combates prejudicaram até mesmo os serviços mais básicos no país e exacerbaram uma crise humanitária já terrível que afeta toda a população de 4,6 milhões de pessoas, metade das quais são crianças.

Chefe humanitária da ONU, Valerie Amos (à esquerda) visita o hospital provincial em Kaga- Bandoro, na República Centro-Africana, em julho de 2013. Foto: OCHA/C.Illemassene
As Nações Unidas e seus parceiros pediram na quarta-feira (25) medidas urgentes para ajudar cerca de 4,6 milhões de pessoas com necessidades humanitárias na República Centro-Africana (RCA).
“Há uma oportunidade real para a comunidade internacional para fazer a diferença no país”, disse a coordenadora de ajuda de emergência da ONU, Valerie Amos, durante uma reunião de alto nível realizada durante a 68a sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
“Precisamos investir na estabilidade e recuperação agora. A omissão irá prolongar e agravar as condições desumanas das pessoas, levando a mais ameaças à paz e à segurança nesta região muito frágil.”
Os participantes na reunião destacaram que um aumento significativo do financiamento humanitário era essencial, e que uma rápida melhora na segurança era uma condição prévia para a obtenção de assistência urgentemente necessária para as pessoas mais afetadas.
A RCA – que tem sido marcada por décadas de instabilidade e combates – assistiu a uma retomada da violência em dezembro de 2012, quando a coalizão rebelde Seleka lançou uma série de ataques. Foi alcançado um acordo de paz em janeiro, mas os rebeldes tomaram novamente a capital, Bangui, em março de 2013, forçando o presidente François Bozizé a fugir.
Os recentes combates prejudicaram até mesmo os serviços mais básicos no país e exacerbaram uma crise humanitária já terrível que afeta toda a população de 4,6 milhões de pessoas, metade das quais são crianças.
Atualmente, 1,6 milhão de pessoas precisam de assistência, inclusive alimentação, proteção, cuidados de saúde, água, saneamento e abrigo. A ONU mantém uma forte atuação no país mas, devido à falta de financiamento — em apenas 30% do que foi solicitado para este ano –, não pode ampliar as ações humanitárias.