ONU e parceiros pedem US$ 2,66 bi para dar assistência a 15 milhões de pessoas no Sahel

Em partes do Sahel, má nutrição afeta até 30% da população, o que é o dobro do limiar de emergência humanitária. Quase 5 milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas na região. Na bacia do Lago Chade, cerca de 11 milhões de indivíduos precisam urgentemente de assistência e 500 mil crianças estão severamente subnutridas. Crise é fruto da combinação de insegurança, mudanças climáticas e instabilidades na governança de países.

Meninos no campo de Maina Kaderi, no Níger, para deslocados internos. Foto: OCHA/Federica Gabellini

Meninos no campo de Maina Kaderi, no Níger, para deslocados internos. Foto: OCHA/Federica Gabellini

As Nações Unidas e organizações não governamentais parceiras lançaram um apelo global na quarta-feira (7) de 2,66 bilhões de dólares, montante que financiará a entrega de assistência emergencial para 15 milhões de pessoas vivendo na região africana do Sahel. Ajuda humanitária beneficiará populações de oito países — Chade, Mali, Níger, Camarões, Nigéria, Burkina Faso, Mauritânia e Senegal.

O coordenador humanitário da ONU para a região, Toby Lanzer, lamentou que “milhões de pessoas ainda vivam em condições de sofrimento humano deploráveis” no Sahel e informou que essa porção da África “permanecerá o local de uma das grandes operações humanitárias de 2017”.

A faixa do continente visada pelo apelo do organismo internacional é onde residem 4,9 milhões de pessoas forçadas a abandonar suas casas. Uma em cada cinco famílias vivem em circunstâncias de extrema vulnerabilidade. No Chade e partes do nordeste da Nigéria, a má nutrição afeta até 30% da população — índice que é o dobro do limiar de emergência.

Na bacia do Lago Chade, cerca de 11 milhões de indivíduos precisam urgentemente de assistência e 500 mil crianças estão severamente malnutridas. Necessidades financeiras para atender esses contingentes triplicaram desde o ano passado. No Mali, as ameaças à população vêm da atuação de grupos armados.

“Temos que, mais do que nunca, passar do fornecimento de ajuda para a erradicação de necessidades porque a vulnerabilidade extrema no Sahel é o sintoma mais visível a crise tripla de governança, insegurança e mudança climática que afeta essa região. A explosão demográfica, que fará com que a população da região dobre nos próximos 20 anos, agrava essa situação ainda mais”, disse Lanzer.

O coordenador enfatizou que as vidas e meios de subsistência dos que vivem no Sahel estarão em jogo caso governos, doadores e a comunidade humanitária não renovem seu compromisso em proteger os que mais precisam e ajudá-los a se tornarem menos suscetíveis a crises.

O apelo de 2,66 bilhões de dólares faz parte da solicitação orçamentária de 22,2 bilhões feita pela ONU à comunidade internacional no início da semana (5).