ONU e partes envolvidas no conflito do Iêmen dão início a negociações de paz

Após três dias de atraso, diálogos começaram na quinta-feira (21) e podem pôr um fim ao conflito que já matou mais de 6 mil pessoas e deixou outras mais de 30 mil feridas. Guerra deslocou cerca de 2,8 milhões de iemenitas.

Um menino carrega um pedaço de explosivo de artilharia que aterrissou na vila de Al Mahjar, um subúrbio de Sana’a, capital do Iêmen. Foto: UNICEF / Mohamed Hamoud

Um menino carrega um pedaço de explosivo de artilharia que aterrissou na vila de Al Mahjar, um subúrbio de Sana’a, capital do Iêmen. Foto: UNICEF / Mohamed Hamoud

Os diálogos pela paz no Iêmen – realizadas com o apoio da ONU no Kuwait – tiveram início na quinta-feira (21), após serem adiados por três dias. Desde 10 de abril, um acordo de cessação das hostilidades suspendeu os confrontos no país. Apesar da trégua, somente negociações capazes de chegar a um consenso político entre as partes poderão pôr um fim à guerra.

Este foi o informe do enviado especial das Nações Unidas para o país, Ismail Ould Cheikh Ahmed, que reconheceu que “o caminho para a paz pode ser difícil”, mas está ao alcance de todos os envolvidos no conflito, caso haja um compromisso genuíno das partes.

“A escolha hoje está entre dois caminhos: um país seguro que garante a estabilidade e os direitos de todos ou uma terra rachada onde crianças morrem diariamente”, disse o representante do secretário-geral durante o início das negociações. “A maioria dos regimes no mundo é construída sobre a diversidade de seu espectro político, que é transformada em uma força positiva.”

Estimativas da ONU calculam que o número de mortos no conflito do Iêmen já chegou a mais de 6,4 mil. Mais de 30,5 mil foram feridos e cerca de 2,8 milhões de iemenitas foram forçados a abandonar suas casas. Devido ao prolongamento do conflito, atualmente, cerca de 14,1 milhões de pessoas precisam de assistência para receber cuidado médico adequado.

Após o adiamento das negociações – agendadas inicialmente para começarem na segunda-feira (18) –, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo às partes na terça-feira (19) e enfatizou que “o povo iemenita não merece menos que a paz”.

Na semana passada (15), Ahmed já havia alertado o Conselho de Segurança da ONU a respeito do momento crítico por que passa o Iêmen: o cessar-fogo reduziu consideravelmente a violência militar e melhorou as condições de segurança, mas violações da trégua, incluindo as que vitimam civis, ainda eram observadas em Taiz, Mareb, Amran e Al-Jawf.

Apesar do desrespeito à cessação nessas regiões, outros avanços foram verificados e elogiados pelo enviado especial. O sinal positivo emitido pela Arábia Saudita e os Ansarallah a respeito da possibilidade de acordos sobre disputas de fronteiras foi celebrado por Ahmed.

Com as negociações que começaram na quinta-feira, o enviado especial espera que o Iêmen consiga alcançar a estabilidade política, fortalecer as instituições estatais e acelerar sua recuperação econômica. “A paz é uma escolha, façam dela a escolha de vocês”, recomendou às lideranças iemenitas.