Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas e vivem em abrigos temporários e, muitas vezes, no meio da floresta ou outros lugares onde ficam vulneráveis a ataques.

Crianças refugiadas da República Centro-Africana no Chad. Foto: Anna Jeffreys/IRIN
Os coordenadores de ajuda emergencial das Nações Unidas e da União Europeia (UE) expressaram, nesta sexta-feira (18), sua preocupação com relatos de níveis alarmantes de violência da República Centro-Africana (RCA), incluindo vários casos nos quais grupos armados deliberadamente atacaram lugares que abrigavam pessoas deslocadas.
“Esses ataques constituem intoleráveis violações do direito internacional e os seus autores devem ser responsabilizados,” disseram a subsecretária-geral para assuntos humanitários, Valerie Amos e a comissária da União Europeia para cooperação internacional, ajuda humanitária e resposta às crises, Kristalina Georgieva, em comunicado conjunto.
Grupos armados atacaram um templo religioso que protegia 10 mil pessoas deslocadas em Bambari no último 7 de julho, matando ao menos 26 pessoas e ferindo outras 35. A este ataque, seguiu-se uma escalada de violência em Bambari e seus arredores. Hospitais na área relataram estar impressionados com as pessoas que precisam de tratamento por feridas de bala e machete, afirmaram ONU e UE.
“Pedimos as todas as partes do conflito, e aqueles que tenham influência sobre elas, para pôr fim aos ataques ao civis, escolas, hospitais, lugares religiosos e trabalhadores humanitários.”
Mais de meio milhão de pessoas, incluindo mulheres e crianças, fugiram de suas casas e vivem atualmente em abrigos temporários e, muitas vezes, no meio da floresta ou outros lugares onde ficam vulneráveis a ataques. Ondas de refugiados com fome, doentes ou exaustos estão chegando aos países vizinhos, colocando pressão nas comunidades locais e criando um crise regional. Mais de 2,5 milhões de centro-africanos precisam de ajuda humanitária.
“Centro-africanos estão sobrevivendo sem satisfazer suas necessidades mais vitais. Faltam comida, remédios e água potável, e muitos temem pelas suas vidas. Devemos apoiá-los e mostrar que não estão sozinhos”, disse o comunicado conjunto.
Amos e Georgieva pediram à União Europeia e os estados-membros da ONU para intensificarem os esforços, tanto na área de segurança como na busca de novas fontes de fundos, para apoiar as operações humanitárias dentro da RCA e seus países vizinhos.