ONU elogia a assinatura ‘histórica’ de acordo político da Líbia sobre governo de unidade nacional

Apesar de avanço, representante da ONU diz que é o “início de uma difícil jornada”. Com instabilidade política, mais de 2,4 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no país.

O acordo representa um importante passo político para acabar com a violência no país. Foto: EU Neighbourhood Info Centre

O acordo representa um importante passo político para acabar com a violência no país. Foto: EU Neighbourhood Info Centre

Representantes de uma ampla variedade da sociedade líbia assinaram nesta quinta-feira (17), em Skhirat, Marrocos, um acordo mediado pelas Nações Unidas para formar um governo de unidade nacional. O compromisso para pôr fim a violência na nação do Norte da África foi elogiado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e seu enviado especial para o país como parte da construção de uma Líbia próspera, segura, pacífica, mas também, como descreveu, o “início de uma difícil jornada”.

“O acordo levará ao estabelecimento de um único Governo de Acordo Nacional e às instituições nacionais que irão garantir uma ampla representação. É um passo decisivo para a continuação da transição pós-revolução da Líbia, após meses de agitação e incerteza”, afirmou Ban Ki-moon.

O representante especial do secretário-geral e chefe da Missão da ONU de Apoio na Líbia (UNSMIL), Martin Kobler, saudou o dia de hoje como um “dia histórico” para o país norte-africano. Ele destacou que entre as assinaturas estavam representantes da Câmara dos Deputados e do Congresso Geral Nacional, bem como figuras públicas importantes de partidos políticos, sociedade civil, municípios e grupos de mulheres.

“Soluções urgentes precisam ser encontradas para apoiar a luta liderada pela Líbia contra o terrorismo e a ameaça em particular do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL)”, observou Kobler.

Mais de 2,4 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária imediata, entre elas, cerca de 435 mil que se encontram internamente deslocadas, segundo a ONU. Diferentes facções disputam o controle da Líbia desde 2011, levando a fragmentação da política e a escalada de violência no país.

Após uma ampla consulta do ex-representante especial da ONU para a Líbia, Bernadino León, em meados de outubro foi anunciado a proposta de um governo de unidade nacional. Os nomes dos candidatos para o alto conselho do governo foram apresentados, mas algumas partes não assinaram o acordo, que ficou estagnado até o momento.