ONU elogia abertura de julgamento de extremista acusado de destruir Patrimônio Mundial no Mali

A ONU elogiou a abertura do julgamento histórico, realizado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), do extremista Ahmad Al Faqi Al Mahdi, acusado de destruir monumentos da cidade de Tombuctu, no Mali, listados como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O crime foi cometido em 2012. De acordo com o TPI, além de ser o primeiro julgamento internacional com foco em destruição de patrimônios mundiais, trata-se da primeira vez em que um réu faz uma admissão de culpa durante um julgamento do tribunal.

No Tribunal Penal Internacional (TPI), Ahmad Al Faqi Al Mahdi admitiu ser culpado por crime de guerra relacionado à destruição de patrimônio histórico e religioso de Tomboctu, no Mali. Foto: TPI

No Tribunal Penal Internacional (TPI), Ahmad Al Faqi Al Mahdi admitiu ser culpado por crime de guerra relacionado à destruição de patrimônio histórico e religioso de Tomboctu, no Mali. Foto: TPI

A ONU elogiou na segunda-feira (22) a abertura do julgamento histórico, realizado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), do extremista Ahmad Al Faqi Al Mahdi, acusado de destruir monumentos da cidade de Tombuctu, no Mali, listados como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O crime foi cometido entre junho e julho de 2012.

De acordo com o TPI, além de ser o primeiro julgamento internacional com foco em destruição de patrimônios mundiais, trata-se da primeira vez em que um réu faz uma admissão de culpa durante um julgamento do tribunal.

A procuradora-chefe do TPI, Fatou Bensouda, disse que os edifícios destruídos tinham valor incomensurável, como os mausoléus muçulmanos, e eram uma parte importante do patrimônio histórico da antiga cidade de Tombuctu.

“Eles também eram uma parte da herança do Mali, da África e do mundo. Todos, exceto um, foram inscritos na Lista do Patrimônio Mundial”, observou a procuradora, ressaltando que as construções foram destruídas por Al Mahdi e seus parceiros diante dos olhos do povo de Tombuctu.

De acordo com a promotora, Al Mahdi, que é membro do grupo islâmico Ansar Dine, matinha relações com as entidades estabelecidas pelos grupos armados Al-Qaeda no Magrebe Islâmico e Ansar Dine durante a ocupação de Tombuctu, em 2012.

“O julgamento de hoje é ainda mais histórico, tendo em vista a fúria destrutiva que marca os nossos tempos, em que o patrimônio comum da humanidade está sujeito a destruições repetidas e planejadas por indivíduos e grupos que objetivam erradicar qualquer representação de um mundo que é diferente do deles, eliminando as manifestações físicas que estão no centro das comunidades”, frisou Bensouda.

Em comunicado emitido por seu porta-voz, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou o caso histórico e elogiou o tribunal por trazer a importante questão para a vanguarda dos esforços que pretendem garantir justiça e responsabilização internacional.

Ban também chamou a atenção para uma tendência cada vez mais preocupante de destruição deliberada do patrimônio cultural em situações de conflito armado, e afirmou que “tais ações representam um ataque cruel sobre a dignidade e identidade de populações inteiras, bem como de suas religiões e raízes históricas”.

O dirigente máximo da ONU também condenou veementemente todos os atos de destruição e pediu que todos os envolvidos garantam que os perpetradores sejam responsabilizados.