Pacto assinado na terça-feira (15) reconhece as agressões específicas contra mulheres e meninas no conflito, que completa 51 anos de duração. Segundo a ONU, passo é importante para fim da impunidade.

Pacto assinado na terça-feira (15) reconhece as agressões específicas contra mulheres e meninas no conflito. Foto: ONU Mulheres Colômbia
O acordo assinado na última terça-feira (15) pelo governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC – EP) sobre vítimas do conflito de décadas também reconhece as agressões sofridas por mulheres e não dá anistia a crimes mais sérios, como o de violência sexual, segundo declarações de representantes da ONU feitas na quinta-feira (17).
“O acordo reconhece as diferentes formas de violência que as mulheres vêm sofrendo, incluindo a agressão sexual ligada ao conflito, e integra a igualdade de gênero de forma abrangente”, ressaltou a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, e a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas sobre violência sexual em conflito, Zainab Hawa Bangura.
Elas acrescentam que as reparações das vítimas por meio do pacto é um marco no caminho para acabar com cinco décadas de conflito. Para as representantes da ONU, o acordo representa um passo importante na luta pelo fim da impunidade e enfatiza o impacto específico que o conflito teve sobre as mulheres e meninas.
Durante os dois últimos anos, o governo colombiano e as FARC tentam negociar, buscando acabar com um conflito de 51 anos que deixou quase 250 mil vítimas. Ressaltando a importância das mulheres, que “trabalharam incansavelmente” neste processo de construção do compromisso, Mlambo-Ngcuka e Bangura declararam que elas continuam sendo peças-chave para a implementação do acordo.
A declaração feita pelas representantes das Nações Unidas também pediu apoio da comunidade internacional à Colômbia, que aproveita esta oportunidade histórica de trazer paz e justiça para seu povo, em um processo que pode servir “de inspiração para a região e para o mundo”.