ONU: Falta de compromisso com a paz agrava violência no Sudão do Sul

“O governo e a oposição não parecem ser capazes de ver as negociações políticas seriamente e aparentam não ter vontade de assumir os compromissos necessários”, afirmou o subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz da ONU.

Um grupo de deslocados internos em uma escola abandonada em Malakal. Foto: UNMISS

Um grupo de deslocados internos em uma escola abandonada em Malakal. Foto: UNMISS

deterioração da situação humanitária e o ambiente de segurança frágil, além das tensões políticas entre as facções rivais no Sudão do Sul, podem levar o país a um ciclo ainda pior de violência, advertiu o o subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, nesta quarta-feira (25).

“O ambiente de segurança volátil é uma ilustração direta da falta contínua de vontade política de todas as partes”, informou, ao Conselho de Segurança, Ladsous. “O governo e a oposição não parecem ser capazes de ver seriamente as negociações políticas e aparentam não ter vontade de assumir os compromissos necessários.”

Ao informar aos 15 membros do Conselho sobre a situação no país africano, Ladsous forneceu uma avaliação sóbria sobre a realidade no terreno, descrevendo que os diálogos de paz sucumbiram às “falhas da lideranças, que continuam enfocadas em tomar o poder em vez de tomar conta do seu povo”.  Dentro deste contexto, a atual ronda de diálogo não deve alcançar nenhum progresso, adicionou, citando como elementos do impasse a fórmula de compartilhamento do poder, reformas constitucionais e sistemas de segurança.

A situação de segurança no Sudão do Sul vem se deteriorando progressivamente no último ano a partir do embate político entre o presidente do país, Salva Kiir e seu antigo vice-presidente, Riek Machar. Estima-se que o conflito já provocou o deslocamento de mais de 1,9 milhões de pessoas e mais de 7 milhões sofrem o risco de passar fome e contrair doenças.