Os fatos publicados pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apresentam sinais de avanços, mas também consequências da desigualdade em diferentes esferas.

Segundo levantamento, mundo está mais urbanizado do que nunca. Tendência é de aumento. Foto: Flickr/André Mantelli (CC)
Levantamento publicado pela UNFPA mostra avanços desiguais na sociedade e pontos benéficos para o futuro. De acordo com a lista, hoje vivem mais jovens no mundo do que em qualquer outro contexto histórico, concentrando-se em sua maioria nos países em desenvolvimento; o número de migrantes também nunca foi tão grande na história e mais da metade da população mundial é urbana – a maior onda de urbanização até hoje, com tendência a aumentar. Além disso, dependendo da taxa de fertilidade, até o final do século a população pode ser maior que 17 bilhões ou menor que 7 bilhões.
Dentre os pontos levantados, dois estão relacionados principalmente à desigualdade de gênero: apesar de sua proibição, cerca de 37 mil casamentos de crianças acontecem diariamente; seguindo as tendências atuais, aproximadamente 15 milhões de meninas entre 15 e 19 anos serão submetidas à mutilação genital feminina até 2030. No entanto, os diálogos nas comunidades sobre as consequências negativas para as meninas e a divulgação dos direitos humanos provocou redução no número desta prática.
Quatro dos fatos estão relacionados à pobreza. Mulheres na África subsaariana têm maior probabilidade de morrer durante trabalho de parto do que no resto do mundo: de 100 mil bebês nascidos, 510 mulheres morrem por causas relacionadas à maternidade. Ainda, cerca de 225 milhões de mulheres em países subdesenvolvidos querem evitar a gravidez, mas não usam contraceptivos modernos, além de dezenas de milhões de mulheres não receberem cuidados necessários durante a gestação e concepção da criança.
Complicações no parto são a segunda principal causa de morte de mulheres em países em desenvolvimento, acontecendo, sobretudo, com meninas menores de 18 anos, em que a estrutura dos seus corpos não está desenvolvida para o trabalho de parto e também pela falta de acompanhamento médico na gestação. O progresso nessa área tem acontecido de forma desigual pelo mundo. As mortes relacionadas ao HIV diminuíram consideravelmente. Estão abaixo de 35% desde 2005, mas estimativas sugerem que a letalidade da doença em adolescentes está aumentando devido à falta de informação sobre formas de prevenção.