O ACNUR pediu que essa colaboração se estenda para o reassentamento e realocação dos migrantes e integração dos requerentes de asilo.

Quatro grupos distintos de pessoas que foram resgatados no mar pelo navio da guarda costeira italiana. Bettica, ao chegar no porto Augusta. Foto: ACNUR/F. Malavolta
A agência de refugiados da ONU (ACNUR) saudou a mobilização de recursos da União Europeia em resposta à crise migrante em curso no Mediterrâneo, mas, ao mesmo tempo, pediu o aumento dos esforços destinados ao reassentamento e realocação dos migrantes e integração dos requerentes de asilo.
O porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, aplaudiu nesta sexta-feira (24), a triplicação do financiamento da União Europeia para as operações conjuntas de salvamento no mar, após a tragédia marítima que custou a vida de centenas de migrantes no final do semana.
Edwards transmitiu esperança sobre o plano de 10 pontos anunciados pela União Europeia nesta semana, indicando ser um “importante primeiro passo” para o enforque transnacional no controle da crise de migração.
“Finalmente, o teste será se vamos a ver uma redução de vidas perdidas e acesso efetivo para a proteção na Europa sem ter que cruzar o Mediterrâneo, e um sistema de asilo comum europeu, que realmente corresponda ao seus compromissos de solidariedade e responsabilidade compartilhado”, declarou o porta-voz.
Já os relatores especiais da ONU sobre tráfico de pessoas e direitos humanos dos migrantes, Maria Grazia Giammarinaro e François Crepeau, respectivamente, questionaram, através de uma declaração em conjunto, outras medidas que devem ser tomadas para garantir o bem-estar e futuro dessas pessoas.
“A pergunta permanece: o que acontece com essas vidas uma vez que são corretamente salvas? O que será feito sobre a falta de avaliação individual apropriada das necessidades de proteção de cada um, sobre as instalações inadequadas de recepção e as pobres condições para aqueles resgatados, sobre a falta de uma política de reassentamento acordada para os refugiados e sobre o retorno forçado de migrantes irregulares, que poderiam incluir potenciais vítimas do tráfico”, escreveram os relatores.
Para eles, a União Europeia precisa sair do “modo emergência” e adotar projetos pilotos que facilitem a mobilidade dessas migrações através do Mediterrâneo e dentro do seu território de forma a dinamizar o seu próprio desenvolvimento econômico e social.