ONU: Haiti está fortalecendo proteção de civis

Chefe do escritório da Missão de Paz na região sudeste relata avanços no socorro às vítimas de catástrofes naturais. Falta de infraestrutura, porém, ainda é grande desafio.

Tropa uruguaia da Missão de Paz da ONU realiza patrulha marítima no Haiti. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Tropa uruguaia da Missão de Paz da ONU realiza patrulha marítima no Haiti. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Com apoio da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), o país está desenvolvendo mecanismos de proteção civil em todo o território.

Chefe do escritório da MINUSTAH na região Sudeste, Clara Pires lembra que no começo da Missão, em 2004, o país não conseguia prestar auxílio a seu povo durante catástrofes naturais – a nação é atingida por furacões todos os anos.

“Neste momento, eu vejo que eles têm capacidade de coordenação dos esforços, capacidade de comunicação e de prevenção no departamento [Sudeste] e mesmo capacidade de resposta. Nas duas últimas tempestades, fomos muito pouco requisitados para dar as respostas”, diz Pires, em referência aos furacões Isaac e Sandy.

A falta de infraestrutura, porém, ainda é um grande desafio. O Haiti tem extrema dificuldade para fornecer água, luz, saneamento e telefonia. Esses fatores, aliados à centralização política, atrasam melhorias. “Apesar de haver uma lei sobre a descentralização, de fato nada se faz sem sem acordo na capital. E isso é terrível, sobretudo num país em que as comunicações são tão ruins.”

As estradas precárias também são uma barreira. Percorrer os menos de 250 quilômetros de extensão entre as extremidades do departamento Sudeste, por exemplo, representa 13 horas de viagem em veículos 4×4 — quando as condições climáticas são favoráveis.

“No mundo ideal, eu visitaria todas as delegacias a cada dois dias ou todo dia. Mas, por exemplo, Belle-Anse está a quatro horas de distância [de Jacmel, capital do departamento] só para ir, em uma estrada terrível, muito difícil de dirigir, então se formos lá duas ou três vezes por semana fica inviável. Se estiver chovendo um pouquinho, nem pense, você não vai chegar”, descreve a chefe da Polícia das Nações Unidas (UNPOL) na região, Annick Levesque.

O problema de infraestrutura afeta diretamente o trabalho da Polícia Nacional do Haiti (PNH). “Nós os acompanhamos, estamos o tempo todo ao lado deles, mas algumas vezes eles não têm equipamento, eles não têm luz nem água, então não há o que possam fazer”, relata Levesque.

Melhorar as condições de vida da população é um dos objetivos das Forças de Paz da ONU. Embora sua tarefa primordial seja garantir a segurança, soldados também realizam obras e ações de limpeza.

“Os militares estão fazendo muitos projetos por conta própria, estão arrumando estruturas como pontos de táxis e tap-taps [lotações]. Em alguns lugares mais difíceis eles limpam latrinas. O que surge nesse sentido, eles fazem porque têm força humana para ajudar”, explica a gerente do escritório de campo da ONU no Sudeste do Haiti, Cassandra Palanyk.

Tropas do Uruguai apoiam as autoridades locais. A Marinha uruguaia patrulha diariamente as 107 milhas náuticas da região – cerca de 200 quilômetros. Os militares prestam assistência a barcos com problemas, treinam a Guarda Costeira haitiana, transportam prisioneiros em apoio à PNH e levam ajuda humanitária por vias fluviais.

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Esta matéria faz parte de uma série de reportagens especiais, incluindo um vídeo, para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, lembrado a cada ano em 29 de maio. Confira todas as reportagens em www.onu.org.br/29demaio e o vídeo abaixo.

http://youtu.be/p4hySeGq_ZY