ONU: Haiti faz progresso notável após terremoto e epidemia de cólera, mas ainda tem problemas agudos

Quase 90% dos deslocados já deixaram os campos. Incidência de cólera reduziu mais de 50% e número de atingidos por insegurança alimentar severa caiu de 1,5 milhão em janeiro para 600 mil em outubro.

UNICEF e a ONG Concern mantêm centro de nutrição em hospital de Porto Príncipe. Foto: MINUSTAH/Logan Abassi

O Governo do Haiti, a sociedade civil haitiana e a comunidade internacional humanitária têm alcançado “progresso notável” ao lidar com a vulnerabilidade do país. A avaliação é do coordenador residente e humanitário da ONU na nação caribenha, Peter de Clercq.

“Temos de reconhecer o progresso notável feito desde o terremoto”, disse ele em Genebra, Suíça, em 17 de dezembro. “Há, à vista, um fim para o sofrimento, as perdas, para o deslocamento massivo que aconteceu depois do terremoto e da epidemia de cólera.”

O terremoto de 2010 fez com que 10% dos haitianos passassem a viver em campos de deslocados espalhados por toda a capital, Porto Príncipe. Atualmente, 89% dessas pessoas já deixaram esses assentamentos. A incidência de cólera foi reduzida em mais de 50% desde o início da epidemia, em outubro de 2010, e o número de pessoas que sofrem com a insegurança alimentar severa caiu de 1,5 milhão no começo deste ano para 600 mil em outubro.

Estes fatos indicam claro progresso, avalia Clercq, e mostram a crescente capacidade das autoridades haitianas em coordenar e gerenciar os preparativos e a resposta de emergência.

O coordenador residente alerta, porém, que necessidades significativas permanecem e pede aos doadores que mantenham o apoio.

“Devemos permanecer em alerta”, disse. “Sabemos que estamos num ambiente de dificuldade financeira global e que crises maiores estão acontecendo em outros lugares no mundo. No entanto, não podemos ignorar a situação humanitária no Haiti.”

O Haiti é um dos países mais vulneráveis no mundo em termos de desastres naturais e mudanças climáticas e um número estimado de 817 mil haitianos ainda necessitam de assistência humanitária.

Muitos passam por insegurança alimentar severa ou desnutrição, vivem em condições deteriorantes nos 300 campos remanescentes de deslocados – onde também correm alto risco de despejo forçado – ou sofrem de cólera.

Apesar de uma redução significativa no número de mortes relacionadas com o cólera, o Haiti ainda abriga metade dos casos de suspeita de cólera do mundo.

Com financiamento, deslocamentos e cólera podem acabar em 2014

O Plano de Ação Humanitária para 2014, lançado em 16 de dezembro como parte da Resposta Humanitária Global, pede 169 milhões de dólares para ajudar quase 400 mil pessoas, incluindo 145 mil que vivem em campos.

“O deslocamento no Haiti poderá acabar em 2014 se os recursos necessários forem oferecidos”, destacou Clercq. “Uma situação similar se aplica à epidemia de cólera”, acrescentou. “As soluções estão em nossas mãos. Se não continuarmos com nossos esforços para combater a doença, há um risco de que ela continue assolando o país.”

Segundo Clercq, a comunidade humanitária segue determinada em continuar trabalhando com as autoridades haitianas e as organizações nacionais da sociedade civil para melhorar as condições de vida dos mais miseráveis. “Pedimos que os doadores e parceiros humanitários continuem apoiando o Haiti e seu povo.”