ONU implementa programa de controle da tuberculose em presídios brasileiros

Em parceria com o Ministério da Saúde e com o Ministério da Justiça, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) promove, desde 2014, ações de rastreamento da doença. Próxima etapa do projeto envolve campanhas educativas.

No Brasil, 7,3% dos casos de tuberculose são diagnosticados em instituições de encarceramento. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

No Brasil, 7,3% dos casos de tuberculose são diagnosticados em instituições de encarceramento. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), juntamente com o Ministério da Saúde, tem implementado, desde o ano passado, um programa de prevenção e detecção da tuberculose no Brasil. A iniciativa, chamada TB Reach, visa a alcançar populações mais vulneráveis às infecções, promovendo ações de conscientização e rastreamento da doença. No país, o programa é voltado para a população carcerária e está sendo realizado em parceria com os governos dos estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

A implementação do TB Reach no Brasil foi dividida em duas fases. A primeira, que começou em 2014, envolve a elaboração de planos de rastreamento da tuberculose, bem como a realização de exames entre presidiários. O objetivo é detectar a presença da doença para combatê-la precocemente e evitar sua proliferação nos ambientes carcerários. No Brasil, 7,3% dos casos de tuberculose são diagnosticados em instituições de encarceramento.

No Presídio Central de Porto Alegre, por exemplo, foram avaliados 5.158 internos, entre outubro de 2014 e junho de 2015, tendo sido detectados 157 casos de tuberculose. Com a informação, foi possível concluir que o risco de adoecimento nessa unidade é 82 vezes superior ao risco de desenvolvimento da tuberculose na população em geral.

A segunda fase do projeto terá início em 2016, quando serão realizadas ações educativas em unidades prisionais para difundir informações sobre as causas da doença, suas formas de diagnóstico e tratamento. Segundo informações do UNDOC, além das condições de vida nos presídios, fatores como o desconhecimento dos sintomas e o estigma ainda associado à tuberculose dificultam o controle da doença entre essa população vulnerável.