ONU impõe embargo aos rebeldes houtis no Iêmen

Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou resolução que exige retirada das tropas rebeldes de áreas ocupadas e fim das hostilidades

Iemenitas fogem da capital Sanaa com suas famílias e alguns bens. Foto: Almigdad Mojalli/IRIN

Iemenitas fogem da capital Sanaa com suas famílias e alguns bens. Foto: Almigdad Mojalli/IRIN

Alarmado com a escalada militar dos houtis em várias partes do Iêmen, e a significativa e rápida deterioração da situação humanitária, o Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta terça-feira (14) um embargo de armas contra os grupos rebeldes e exigiu que todas as partes se abstenham de ações unilaterais que comprometam ainda mais a transição política facilitada pelas Nações Unidas no país.

A medida foi aprovada através de uma nova resolução adotada por uma votação de 14 a favor e uma abstenção (Rússia). O texto exige que os houtis acabem com a violência imediata e incondicionalmente; retire suas forças das áreas que tenham ocupado; abandonem as armas; cessem as atividades que minem a autoridade do governo legítimo e a transição política; abstenham-se de provocações contra os países vizinhos, soltem o ministro da defesa, o general Mahmoud al-Subaihi e parem com o recrutamento de crianças.

A resolução também incluiu os nomes de Abdulmalik Al-Houthi, bem como de Ahmed Ali Abdullah Saleh, filho do ex-presidente do Iêmen, à lista de pessoas sujeitas às sanções, além de impor um embargo de armas. A decisão significa que todos os Estados-Membros precisam tomar imediatamente as medidas necessárias para evitar o fornecimento direto ou indireto, venda ou transferência de armamentos os grupos rebeldes.

O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, lembrou as partes envolvidas no conflito iemenita que assegurem a investigação imediata de todos os ataques que resultaram em vítimas civis e garantam o respeito escrupuloso dos direitos humanos internacionais e do direito internacional humanitário.

“Toda hora estamos recebendo e documentando relatos profundamente perturbadores e angustiantes do total de vidas civis e infraestrutura que esse conflito está tirando”, disse Zeid. “Tal número de mortes civis deveria ser uma indicação clara a todas as partes deste conflito que pode haver sérios problemas na condução das hostilidades.”

Além das centenas de soldados, pelo menos 364 civis perderam suas vidas desde o dia 26 de março, e outros 681 foram feridos. Dezenas de edifícios públicos, incluindo hospitais, escolas, aeroportos e mesquitas foram destruídos em ataques aéreos.