ONU insta Europa a agir para evitar mortes de refugiados que arriscam a vida no Mediterrâneo

Nos últimos 10 dias, mais de 260 pessoas morreram durante a travessia marítima à Europa, somando-se a outras 800 que perderam a vida no primeiro semestre deste ano, segundo o ACNUR.

Sírio segura seu filho de um ano de idade enquanto esperam para receber atendimento médico num navio italiano. Eles foram resgatados no meio do Mediterrâneo. Foto: ACNUR/A. D'Amato

Sírio segura seu filho de um ano de idade enquanto esperam para receber atendimento médico num navio italiano. Eles foram resgatados no meio do Mediterrâneo. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Mais de 260 pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas nos últimos 10 dias ao tentarem atravessar o mar Mediterrâneo em direção à Europa, afirmou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), nesta quinta-feira (24), solicitando aos países europeus que tomem medidas urgentes em relação ao aumento do número de mortes entre os refugiados e imigrantes que tentam chegar ao continente pelo mar.

Segundo o ACNUR, mais de 75 mil refugiados e imigrantes chegaram a Itália, Grécia, Espanha e Malta por via marítima no primeiro semestre de 2014. Destes, mais de 800 pessoas morreram durante a travessia. A maioria deles fugia da Eritreia, Síria, Mali e alguns países do norte da África, principalmente a Líbia. O número vem crescendo a cada ano; em 2013, 600 mortes foram registradas, 100 a mais que as ocorridas em 2012. Os indivíduos que conseguiram sobreviver relataram incidentes perturbadores de afogamentos em massa, sufocações e uma suspeita de esfaqueamento múltiplo.

“A morte de 260 pessoas em menos de 10 dias, nas circunstâncias mais terríveis, é uma evidência de que a crise do Mediterrâneo está se intensificando”, disse o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres. “Os europeus precisam tomar medidas urgentes para impedir que esta catástrofe piore no segundo semestre de 2014”, acrescentou.

Guterres também destacou a necessidade dos países europeus prestarem assistência aos que foram vítimas de tráfico de pessoas e arriscaram suas vidas para cruzar o mar Mediterrâneo. Ele pediu a todos os governos que fortaleçam as operações de resgate, forneçam acesso rápido aos procedimentos de asilo para aqueles que precisam de proteção e alternativas legais para a perigosa travessia pelo mar.

O chefe do ACNUR também salientou sobre a necessidade das nações europeias providenciarem instalações melhores e adicionais para os refugiados náufragos e que identifiquem soluções a longo prazo para os refugiados com base em suas necessidades humanitárias, incluindo o acesso facilitado para a reunificação familiar.