ONU investe em ensino técnico para reduzir violência no Haiti

Jovens recebem formação em carreiras empreendedoras, noções de cálculo e estímulo artístico. Programa inclui auxílio-transporte, estágio e acompanhamento psicossocial.

Curso profissionalizante patrocinado pela Missão de Paz da ONU no Haiti. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Sine Laubens, aluno de curso profissionalizante patrocinado pela Missão de Paz da ONU no Haiti. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Para reduzir a violência nas comunidades haitianas, a ONU está investindo em ensino técnico profissionalizante. Jovens de áreas historicamente perigosas na região de Porto Príncipe, capital do país, recebem formação para desempenhar atividades empreendedoras.

Aulas para encanador, construção civil e metalurgia, entre outras carreiras, são ministradas para 200 pessoas por ciclo, sendo ao menos 30% garotas. Todos recebem auxílio financeiro para garantir transporte de ida e volta.

Sine Laubens, de 20 anos, tem quatro irmãos e todos estão desempregados. Além das aulas de manutenção de ar-condicionado, o programa patrocinado pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) oferece a ele seis meses de estágio numa empresa especializada. “Acho que o curso pode mudar a minha vida”, avalia.

De acordo com Victoria Hazou, da seção da MINUSTAH para Redução de Violência nas Comunidades, como o país tem índice de desemprego muito alto, o projeto prevê formação em áreas que os jovens possam trabalhar de forma independente.

Paralelamente às aulas técnicas, eles recebem alfabetização básica, noções de cálculo e são estimulados artisticamente. Também têm acompanhamento psicossocial e participam de atividades de sensibilização para reduzir a violência contra a mulher.

Com alto rendimento em curso, Numa Marceline garantiu emprego. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Com alto rendimento em curso, Numa Marceline garantiu emprego. Foto: UNIC Rio/Damaris Giuliana

Numa Marceline, de 23 anos, foi aluna do curso de eletricista e hoje é monitora do centro profissionalizante. “O curso mudou meu comportamento, melhorou a forma como lido com as pessoas”, conta a garota que sonha em ser professora.

Diretor da escola, Monrose Béjoly afirma que as mulheres têm desempenho superior ao dos homens, independente do curso que frequentam. “Elas querem desenvolver seu potencial e trabalham muito duro. Então, depois pedimos para que venham trabalhar aqui. Funciona como um estímulo a outros alunos.”

_____________________
Esta matéria faz parte de uma série de reportagens especiais, incluindo um vídeo, para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, lembrado a cada ano em 29 de maio. Confira todas as reportagens em www.onu.org.br/29demaio e o vídeo abaixo.

http://youtu.be/p4hySeGq_ZY