“Não há lugar na missão de manutenção de paz da ONU para aqueles que traem a confiança das pessoas que ajudamos aqui”, afirmou Parfait Onanga-Anyanga, chefe da Missão das Nações Unidas no país.

Oficiais da MINUSCA realizam patrulhamento em Bambari, na República Centro-Africana. Foto: ONU / Catianne Tijerina
O representante especial do secretário-geral na República Centro-Africana, Parfait Onanga-Anyanga, informou nesta terça-feira (5) que vai investigar as alegações de abuso sexual feitas recentemente contra oficiais da Missão da ONU no país (MINUSCA). Episódios de assédio teriam ocorrido na capital da nação, Bangui. Ao longo da semana passada, uma equipe do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na cidade prestou assistência a quatro meninas menores de idade que estariam entre as vítimas das agressões.
Após as alegações virem à tona, Onanga-Anyanga se encontrou com policiais e militares da Missão e destacou que não haverá complacência para os perpetradores e cúmplices desses crimes que mancham a bandeira das Nações Unidas, a identidade dos agentes de manutenção da paz e a honra de seus países.
“A boina ou capacete azuis que vocês vestem representa esperança para a população vulnerável da República Centro-Africana”, afirmou. “Não há lugar na missão de manutenção de paz da ONU para aqueles que traem a confiança das pessoas que ajudamos aqui”.
O representante do secretário-geral, e também chefe da MINUSCA, anunciou o estabelecimento de uma brigada conjunta dentro da Missão, dedicada especificamente a identificar agressores e impedir novas ocorrências. Onanga-Anyanga também destacou a necessidade de intensificar as patrulhas em campos de pessoas internamente deslocadas, em parceria com as forças de segurança internas do país. Segundo o representante, a MINUSCA também está entrando em contato com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) para desenvolver ações de combate à violência sexual.
Em Bangui, o UNICEF está trabalhando com parceiros locais para garantir que as meninas envolvidas nos casos de abuso recebam assistência médica, além de avaliar quais são suas necessidades psicossociais. A agência da ONU ofereceu roupas, sapatos e kits de higiene para as jovens. De acordo com Onanga-Anyanga, “toda a família da ONU está colaborando com o combate à exploração sexual, no contexto mais amplo de apoio aos padrões mais altos de conduta e disciplina dentro da organização”.