ONU lança alerta para aumento de detenções, fossas comuns e crimes étnicos no Burundi

Chefe de Direitos Humanos da ONU mostrou sua preocupação com aumento de denúncias. Forças de segurança, associadas à milícia, estariam por trás dos crimes.

Menino anda descalço pelas ruas na prov´cia de Kirundo, Burundi. Foto: UNICEF/Nijimbere

Menino anda descalço pelas ruas na prov´cia de Kirundo, Burundi. Foto: UNICEF/Nijimbere

O chefe de Direitos Humanos da ONU alertou nesta sexta-feira (15) para o aumento de denúncias de casos de violência sexual por forças de segurança, tortura, desaparecimentos forçados e fossas comuns. Após o ataque em 11 de dezembro a três acampamentos militares, uma série de violações de direitos humanos começou a ocorrer na capital do país, Bujumbura, em decorrência das operações de segurança que sucederam estes eventos.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, informou que, após as operações de busca e captura em bairros considerados como pró-oposição, 13 casos de violência sexual contra mulheres foram documentados. “O padrão é similar em todos os casos: forças de segurança supostamente entraram nas casas das vítimas, separaram as mulheres de suas famílias e as estupraram, em muitos casos, coletivamente.”

Além disso, revelou que seu escritório recebeu várias denúncias de detenção de jovens pela polícia e exército, os quais, segundo relatos, foram torturados, mortos ou desaparecidos. Os relatos indicam que membros da milícia Imbonerakure fizeram parte dessas operações, adicionou Zeid.

“Este número crescente de desaparecimentos forçados, associado às alegações de instalações de detenção secretas e valas comuns é extremamente alarmante”, alertou o alto comissário. De acordo com testemunhas, há, ao menos, nove fossas comuns na capital Bujumbura e em zonas periféricas, incluindo uma dentro de um campo militar, contendo mais de 100 corpos no total, todos eles, supostamente, mortos em 11 de dezembro.

“Meu Escritório está analisando imagens de satélite em um esforço para esclarecer essas sérias alegações”, disse Zeid, adicionando que há sinais claros da dimensão étnica dessas violações.

Os relatos indicam que muitas das vítimas da operação de busca e captura eram tutsis. Essas suspeitas ganharam força com a descrição de uma das vítimas de estupro, que declarou que o autor do crime afirmou que “ela estava pagando o preço por ser tutsi.” Outra testemunha disse que os tutsis estavam sendo sistematicamente mortos ou detidos, enquanto os hutus eram poupados.

O alto comissário parabenizou o pedido do ministro da Justiça ao procurador-geral da prefeitura de Bujumbura para investigar as alegações de fossas comuns. No entanto, afirmou que é evidente a necessidade de contar com uma investigação independente, profunda, credível e imparcial.

“Existe uma impunidade galopante para todas as violações de direitos humanos sendo cometidas pelas forças de segurança e o Imbonerakure, apesar das amplas evidências de que eles são responsável por mais e mais crimes graves”, disse Zeid. “Este é um indício de que colapso completo da lei e ordem está a ponto de ocorrer e, com grupos armados cada vez mais ativos e o potencial da dimensão letal étnica começando a despontar, isso, inevitavelmente, acabará em desastre se essa rápida trajetória de deterioração continuar.”