Campanha ‘Mulheres e Direitos’ defende o fim da violência e promove a igualdade de gênero. Assista aos filmetes.
Com uma média diária de 10 assassinatos de mulheres e 70% das agressões cometidas no ambiente doméstico, o fenômeno da violência no Brasil é um tema que traz novos desafios para o poder público e a sociedade. Por isso, diversas agências das Nações Unidas, o Instituto Maria da Penha e entidades parceiras criaram a campanha “Mulheres e Direitos”, lançada na sexta-feira (05/08) no UNIC Rio de Janeiro.
Composta por três filmetes, voltados para homens, mulheres em situação de violência e populações do Norte e Nordeste, as peças publicitárias defendem o fim da violência e promovem a igualdade de gênero.
“Muitas vezes, a violência contra a mulher é vista culturalmente como algo aceitável, sem qualquer consideração como sendo alguma coisa aberrante ou adversa”, explica o Coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil, Pedro Chequer.
Ouça matéria da Rádio ONU abaixo.
[audio:http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/ltd/mp3/2011/1108085i.mp3%5DMaria da Penha participa da campanha
A biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes foi agredida pelo ex-marido durante seis anos. Paraplégica depois de uma tentativa de assassinato, ela denunciou o agressor e procurou a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Cinco anos depois da criação da Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha em homenagem à sua luta, ela participa da campanha.

A biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes (foto) esteve no lançamento da campanha Mulheres e Direitos.
“Todos nós conhecemos alguém na nossa família, um parente próximo ou um vizinho, que sofre violência doméstica e não tem coragem de denunciar. Porque a informação ainda não chegou naquela pessoa. A mídia é muito importante nessa informação. Mas não só a mídia. A questão da educação (também é importante), é preciso trabalhar o assunto nas escolas, para que desde a mais tenra idade, a criança saiba identificar.”
Brasil precisa ampliar atendimento especializado
Para a Ministra-Chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, o Brasil avançou no combate à violência com a condenação de mais de 100 mil agressores e 1,5 mil prisões em flagrante desde 2006. Mas ainda há muitos desafios.
“Os governos estaduais, junto com o governo federal, precisam ampliar o número de núcleos de atendimento. O número de delegacias especializadas precisa crescer, não só em quantidade, mas a capacitação do atendimento à mulher agredida. Porque às vezes ela é agredida em casa e é agredida verbalmente ou moralmente na delegacia; ampliação das casas de abrigo, ocupação de postos de trabalho e igualdade no mundo de trabalho para que ela tenha um empoderamento econômico e financeiro e não dependa do seu agressor”, defende.
Uma pesquisa aponta que 94% da população brasileira conhece a Lei Maria da Penha, mas não sabe como buscar seus direitos. Uma das formas é pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia, incluindo feriados, e atende a todo o país gratuitamente.
Sobre a Campanha
A campanha “Mulheres e Direitos” é uma iniciativa da ONU, no âmbito da Equipe Conjunta sobre Aids e de parceiros. É liderada pelo UNAIDS – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids; a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres; o UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas; o UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância; tem o apoio do UNIC Rio – Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil e é assinada em parceria com o Instituto Maria da Penha.
Os filmes foram produzidos pela Documenta Filmes, tendo direção de Angela Zoé e coordenação da [X] Brasil Publicidade em Causas/Daniel de Souza. A marca original da campanha, criada com base em conceitos estabelecidos pela ONU, é assinada pelo designer Jair de Souza.
Assista abaixo: