Plano de Resposta Humanitária 2016 pede 571 milhões de dólares para implementar 206 projetos de 79 organizações, incluindo 67 organizações não governamentais nacionais e internacionais e 12 agências da ONU. Um total de 1,6 milhão de pessoas devem ser beneficiadas, caso financiamento seja obtido. Demolições de casas palestinas pelo Governo de Israel já atingiram mais de mil pessoas só este ano.

Pelo menos 65% dos fundos solicitados serão utilizados em Gaza. Foto: UNRWA
O ministro das Finanças e Planejamento do Estado da Palestina, Shukry Bishara, e o coordenador humanitário das Nações Unidas no território palestino ocupado, Robert Piper, lançaram no último dia 10 de fevereiro o Plano de Resposta Humanitária 2016 para apoiar as necessidades humanitárias dos 1,6 milhão de palestinos no território ocupado.
“Mais recentemente, assistimos violações contínuas contra civis palestinos, e a situação continua a deteriorar-se desde outubro de 2015. Até agora, o número de palestinos mortos durante este período se aproxima de 200 pessoas, muitas das quais são crianças, bem como cerca de 16 mil feridos”, disse o ministro palestino.
“Quarenta e oito anos de ocupação do território palestino por parte do Estado de Israel deixou muitos palestinos altamente vulneráveis”, disse Robert Piper. “Depois de um período tão prolongado de estresse, e muitos ciclos de choques – especialmente para os moradores de Gaza –, a capacidade de enfrentamento de muitas famílias palestinas está no ponto de exaustão”, acrescentou o representante da ONU.
Segundo avaliações humanitárias, cerca de 1,8 milhão de pessoas precisam de proteção na Palestina ocupada. Cerca de 1,6 milhão de pessoas sofrem com insegurança alimentar moderada a grave; aproximadamente 92 mil pessoas permanecem deslocadas desde as hostilidades contra Gaza em 2014; e 8 mil pessoas na Cisjordânia estão em alto risco de transferência forçada; destinatários das 11 mil demolições encomendas na Área C precisam de assistência jurídica para impedir o seu deslocamento; e centenas de milhares de pessoas ainda têm restringido o seu acesso a serviços essenciais.
O Plano de Resposta Humanitária 2016 pede 571 milhões de dólares para implementar 206 projetos de 79 organizações, incluindo 67 organizações não governamentais nacionais e internacionais e 12 agências da ONU. Quase 323 milhões de dólares do financiamento procurado quer melhorar a segurança alimentar e cerca de 112 milhões financiarão o abrigo para palestinos vulneráveis.
Pelo menos 65% dos fundos solicitados serão utilizados em Gaza. Os pedidos deste ano, no entanto, são 19% menores em comparação a 2015, principalmente devido a uma redução significativa no pedido de abrigo para Gaza. As consideráveis necessidades de reconstrução de infraestrutural em Gaza sertão tratadas através de canais específicos de reconstrução e recuperação.
“Abordar as causas profundas da crise através de uma solução política é vital para avançar”, disse Piper. “Enquanto isso, proteger os direitos dos palestinos que vivem sob a ocupação permanece a principal obrigação e prioridade da comunidade humanitária”, concluiu.
Comunidade beduína palestina foi quase totalmente demolida, denuncia ONU
No último dia 15 de fevereiro, o Exército israelense demoliu quase todas as estruturas existentes na comunidade beduína palestina de Ein Ar Rashash, em Ramallah, por supostas faltas de licenças de construção. De acordo com a avaliação inicial do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), um total de 43 estruturas foram alvo das ações de Israel, incluindo dez casas, 25 estruturas relacionadas com animais e oito cozinhas externas.
Cerca de 60 pessoas com residência permanente na comunidade – incluindo 38 crianças – foram deslocadas, e outros 35 que residem lá sazonalmente ou têm suas estruturas de gado neste local também foram afetadas. Residentes permaneceram na comunidade em condições precárias.
Ein Ar Rashash está localizado em uma área designada pelo exército israelense como “zona de tiro” e é uma das 46 comunidades beduínas palestinos em risco de transferência forçada, no contexto de um plano israelense de “relocalização”.
Desde o início de 2016, as forças israelenses destruíram ou desmantelaram 283 casas e outras estruturas em toda a Cisjordânia, a grande maioria na chamada “Área C”, deslocando mais de 400 palestinos, mais da metade deles crianças. Mais de mil outras pessoas perderam estruturas relacionadas com a sua fonte de renda.
Mais de um terço das estruturas demolidas desde o início do ano foram fornecidas por meio de assistência humanitária às famílias necessitadas, o que gerou a condenação por parte da ONU. Segundo as Nações Unidas, a burocracia imposta aos palestinos os impede em grande parte de regularizar as licenças.