O helicóptero fretado pelo ACNUR também é usado para entregar comida, medicamento e equipamento técnico para apoiar registro dos refugiados.

Funcionário do ACNUR ajuda uma senhora a sentar-se no helicóptero. Foto: ACNUR/L.F. Godinho
Quando a refugiada sul-sudanesa Nyabang Gut foi informada que ela e sua família seriam realocados da fronteira para um campo de refugiados na Etiópia por helicóptero, ela começou a chorar. As únicas palavras que ela dizia para os trabalhadores humanitários, enquanto recebiam seus quatro filhos no helicóptero, eram um simples “Deus abençoe vocês”.
Nyabang e seus quarto filhos chegaram há uma semana em Akobo, uma remota cidade no leste do Sudão do Sul, na fronteira com a Etiópia.
Cerca de 34 mil refugiados sul-sudaneses que fugiram dos conflitos em seu país desde dezembro chegaram à Etiópia. A maioria, assim como Nyabang, possui poucas coisas. A intenção deles é apenas ter seus filhos em segurança.
Acrescenta-se aos seus problemas o fato de que seu filho mais novo, Nerek, sofre de uma severa hidrocefalia – uma acumulação anormal de fluídos no cérebro que causam pressão no crânio e o progressivo aumento do tamanho da cabeça, bem como convulsões, visão limitada e incapacidade mental.
Nyabang tem suas próprias limitações físicas. Ela sofreu um ferimento de bala no tornozelo durante os conflitos entre as forças do governo e os rebeldes, no Sudão do Sul, e sofre de um intenso desconforto, apesar da ferida ter cicatrizado.
A maioria dos sul-sudaneses que chegaram a Akobo, desde dezembro, não tiveram escolha, e viajaram em um barco por 15 horas ao longo do rio Baro com relativa segurança. Eles chegaram a Burubiey, na Etiópia, onde passaram a noite em um acampamento provisório. No dia seguinte, foram transportados de ônibus para o novo campo, gerido pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) em Kule II.
No entanto, agora os mais vulneráveis podem evitar essa árdua viagem a bordo de um helicóptero, fretado pelo ACNUR, com o apoio da Organização Mundial para as Migrações (OIM), de Akobo para o hospital de emergências no campo de refugiados de Leitchuor – e, posteriormente, para Kule II.
Todos os sul-sudaneses que chegaram a Akobo estão registrados pelo ACNUR e pela Administração para Refugiados e Assuntos de Repatriados (ARRA, sigla em inglês), que pertence ao governo etíope, e recebem assistência. Depois disso, são selecionados e aqueles identificados como incapazes para uma viagem de barco, para serem colocados em um helicóptero. A prioridade é dada para grávidas, lactantes, pessoas idosas, crianças menores de um ano, pessoas feridas e com problemas de locomoção e seus parentes.
O helicóptero fretado pelo ACNUR também é usado para entregar comida, medicamentos e equipamento técnico para apoiar as necessidades de proteção de registro dos refugiados. Uma quantidade significativa de carga tem sido transportada, incluindo equipamentos para telecomunicação para a criação de um escritório do ACNUR na cidade de Nyinyang, que cobre o campo de Leitchuor.
Este helicóptero começou a operar no fim de março e continuará por pelo menos mais dois meses. São cinco voos por semana. O ACNUR está em busca de permissão das autoridades etíopes para expandir a operação para outros lugares, em regiões remotas e sem infraestrutura, onde os refugiados estão chegando.
Muitos estão sofrendo com problemas de saúde e desnutrição por conta dos vários dias na estrada em busca de um futuro seguro para eles e suas famílias.