Novo relatório da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) estima que 87 mil pessoas partiram de forma irregular pelo mar da Baía de Bengala entre junho de 2012 a junho de 2014.
Novo relatório da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) estima que 87 mil pessoas partiram de forma irregular pelo mar da Baía de Bengala entre junho de 2012 a junho de 2014.

Pescadores manobram barco em um canal próximo a Sittwe, no Mianmar. Foto: ACNUR/V. Tan
Mais de 20 mil pessoas arriscaram suas vidas em travessias marítimas no Oceano Índico, no primeiro semestre deste ano, a maioria pertence à comunidade Rohingya, no Mianmar, de acordo com um novo relatório divulgado nesta sexta-feira (22) pela Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), produzido pela Unidade de Monitoramento de Movimentos Marítimos, em Bangkok.
O relatório estima que 87 mil pessoas partiram de forma irregular pelo mar da Baía de Bengala entre junho de 2012 a junho de 2014, sendo que 53 mil no período de junho de 2013 e junho de 2014. A maioria fugiu devido ao surto de violência entre comunidades em Rakhine, no Mianmar. Além disso,revela os abusos sofridos pelas pessoas durante as viagens e dispõe de informações sobre os desvios clandestinos da fronteira entre o Bangladesh e Mianmar para a fronteira marítima entre a Malásia e Tailândia, mas também em direção à Austrália.
Segundo os relatos através de entrevistas com os passageiros, as pessoas são transportadas em pequenos barcos que acomodam até 700 pessoas. Apesar da presença majoritária de homens, no último ano, houve um aumento do número de mulheres e crianças nas embarcações. Além disso, os passageiros pagam entre 50 a 300 dólares para embarcar e ficam no mar por cerca de uma a duas semanas.
ACNUR disse que a situação é desafiadora, pois os países que recebem os refugiados não são signatários da Convenção de Refugiados de 1951 e não têm quadros jurídicos formais para lidar com a situação. “Sem os estatutos legais, os refugiados muitas vezes correm o risco de prisão, detenção e deportação sob as leis de imigração”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, à imprensa.