“A punição coletiva infligida aos civis é terrível. E também é o desprezo pelas partes envolvidas no conflito”, condena vice-coordenadora humanitária da ONU.
A secretária-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de Ajuda Emergencial, Kyung-Wha Kang, disse nesta quinta-feira (30) em reunião no Conselho de Segurança da ONU, que o aumento dos combates, a insegurança e a falta de acesso a lugares para prestar assistência básica para a população síria continuam dificultando os esforços da ONU e de seus parceiros em responder à crise humanitária no país.
Na ocasião, Kang detalhou uma série de obstáculos persistentes colocados pelo governo sírio que atrasam a entrega de ajuda humanitária. Além disso, muitas vezes o governo nega o acesso a determinadas áreas e, apesar das frequentes solicitações para obter permissão, a ONU tem ficado sem resposta. No total, cerca de 241 mil pessoas permanecem sitiadas no país, principalmente por forças do governo.
Ela destacou que, no momento, a ONU e seus parceiros trabalharam sob “circunstâncias extremamente difíceis” para entregar alimentos para mais de 3,9 milhões de pessoas, e reforçou que as operações da Organização estão comprometidas por falta de financiamento – até agora somente foram recebidos 39% dos fundos solicitados, que foram de 2,3 bilhões de dólares.
“A punição coletiva infligida a civis é terrível. E também é o desprezo pelas partes envolvidas no conflito para a segurança e a dignidade do povo sírio e para o futuro do país”, disse.
O conflito na Síria, que começou em março de 2011, já tirou a vida de cerca de 200 mil pessoas, deixando mais de 680 mil feridas. O conflito também gerou uma séria crise de refugiados e 3,2 milhões de pessoas buscaram proteção nos países vizinhos. Pelo menos 10,8 milhões de pessoas necessitam de assistência dentro da Síria, incluindo 6,5 milhões que estão deslocados internamente.