ONU: Mais de 280 mortes foram registradas em Kunduz, no Afeganistão, durante conflitos com o Talibã

Novo relatório avalia episódios de violência ocorridos entre o final de setembro e meados de outubro, período em que Kunduz foi ocupada pelo grupo Talibã. Além dos mortos, 559 civis ficaram feridos.

Mulher afegã se registra para conseguir pacote de assistência, na cidade de Kunduz, após fugir de conflitos que ocorriam no seu distrito, entre o Talibã e forças do governo. Foto: IRIN / Bethany Matta

Mulher afegã se registra para conseguir pacote de assistência, na cidade de Kunduz, após fugir de conflitos que ocorriam no seu distrito, entre o Talibã e forças do governo. Foto: IRIN / Bethany Matta

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) publicou, neste sábado (12), um relatório contendo registros de violações dos direitos humanos em Kunduz, no Afeganistão. Os episódios de violência documentados ocorreram entre 28 de setembro e 13 de outubro, período no qual o grupo Talibã atacou e ocupou a cidade. Nesse mesmo período, forças pró-governo conseguiram contra-atacar e recuperar o controle do território. Foram verificadas 848 agressões contra civis, das quais 289 resultaram em morte.

Organizado em conjunto com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o relatório chama a atenção para as execuções arbitrárias, os sequestros, ataques, ameaças, a criminalidade elevada e o uso de crianças-soldados durante os conflitos, tanto na cidade de Kunduz, quanto na província homônima. Além das mortes, 559 civis ficaram feridos.

Os casos de morte e agressão teriam acontecido, em sua maioria, em situações de combate terrestre que raramente envolveu apenas uma parte do confronto, segundo o documento da UNAMA e do ACNUDH. O relatório também destaca os impactos dos conflitos na região sobre o acesso da população à educação, a serviços de saúde e a liberdade de movimento.

Entre as vítimas contabilizadas, estão os 30 mortos e 37 feridos que foram atingidos por um ataque aéreo ao hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, em 3 de outubro. A Missão da ONU afirmou que divulgará, nos próximos dias, mais informações sobre os episódios de violência que marcam o “primeiro combate urbano prolongado no Afeganistão desde 2001”.