ONU manifesta preocupação com a situação de saúde de 200 palestinos detidos por Israel

Chefe da ONU para os direitos humanos e secretário-geral da organização têm afirmado repetidamente que os detidos administrativos devem ser julgados ou libertados imediatamente.

Soldados israelenses checam o carro de um palestino no posto de controle de Hawera, perto da cidade de Nablus, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Kobi Wolf (arquivo)

Soldados israelenses checam o carro de um palestino no posto de controle de Hawera, perto da cidade de Nablus, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Kobi Wolf (arquivo)

A ONU manifestou preocupação nesta sexta-feira (20) quanto à saúde do grupo de palestinos que fazem greve de fome contra o uso contínuo da detenção administrativa utilizada por Israel. Mais de 200 palestinos foram detidos na Cisjordânia desde 12 de junho, quando três adolescentes israelenses desapareceram.

“Continuamos acompanhando de perto a situação dos palestinos que protestam [em greve de fome] contra a prática adotada por Israel”, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

O ACNUDH também está preocupado com a nova emenda legislativa que será votada já nesta segunda-feira (23) prevendo alimentação forçada dos detidos.

Tanto a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, quanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, têm afirmado repetidamente que os detidos administrativos devem ser julgados ou libertados imediatamente.

Shamdasani disse que a agência da ONU escreveu ao representante permanente de Israel em Genebra demonstrando preocupação de que, se aprovada, a emenda permitiria alimentação forçada dos detidos contra a sua vontade, contrariando os padrões internacionais dos direitos humanos.

A porta-voz informou que as restrições à liberdade de circulação dos palestinos têm se tornado mais rigorosas, incluindo a proibição de homens com idade entre 20 e 50 da cidade de Hebron de cruzarem para a Jordânia. O gabinete israelense também já teria decidido impor condições mais duras aos detidos afiliados ao Hamas.

“Pedimos a todos os envolvidos a garantia do respeito aos direitos humanos internacionais e do direito internacional humanitário, inclusive evitando punir indivíduos por crimes que não cometeram ou por imposição de sanções coletivas”, afirmou a porta-voz.