Pilhagem de grupos terroristas na Síria e no Iraque atingiu escala sem precedentes; valor do tráfico de patrimônio cultural é estimado entre 2 e 6 bilhões de dólares por ano.
A importância vital de artefatos culturais do mundo e o comércio ilegal que os coloca em risco foi tema nesta quinta-feira (16) de um dos eventos do 13º Congresso do Crime das Nações Unidas, em Doha, Catar. Os especialistas presentes cobraram que os Estados Membros utilizem os instrumentos jurídicos existentes para combater este crime.
“Encorajamos os Estados -Membros a estabelecerem registro e inventário nacionais de herança cultural porque isso é uma importante ferramenta de gerenciamento e prevenção de riscos, assim como introduzam um plano de gerenciamento de risco e alinhem e cumpram as leis locais”, disse Anna Paolini, diretora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para os países da região do Golfo e Iêmen.
De acordo com a UNESCO, a pilhagem do patrimônio cultural e de antiguidades no Iraque e na Síria atingiu uma escala sem precedentes, alimentando os respectivos conflitos, fornecendo receitas para grupos armados e terroristas. Há dois meses o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução para enfraquecer o poder desses grupos. Entre elas, a proibição do comércio de antiguidades saqueadas do Iraque e da Síria.
A resolução pediu à UNESCO e à Interpol para ajudar a intensificar a proteção do patrimônio cultural na Síria e no Iraque, e, posteriormente, no mês passado, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lançou em Bagdá uma campanha de mídia social – #Unite4Heritage (Unidos pelo patrimônio, em tradução livre), para sensibilizar e construir o apoio para a proteção do patrimônio, que é ameaçado pela violência extrema.
Os participantes do evento destacaram as dificuldades em quantificar o valor do comércio ilegal de propriedade cultural, mas estima-se que as cifras girem entre 2 e 6 bilhões de dólares por ano.
“Objetos que são escavados ilegalmente, em geral, não são relatados. É apenas quando [os objetos] aparecem no mercado aberto, que nós sabemos que eles foram roubados”, disse Duncan Chappell, professor de direito da Universidade de Sydney. “[Além disso], a Interpol, que tem algumas boas bases de dados, não necessariamente obtém qualquer informação sobre esse tipo de escavações ilícitas.”
