Aumento das execuções está relacionado ao combate ao terrorismo e aos crimes ligados às drogas. Chefe da ONU destacou que pessoas pobres, com deficiência mental e pertencentes a minorias são as que correm o maior risco de receber sentenças de morte, independentemente de serem culpadas ou inocentes.
Durante o lançamento de um livro do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) nesta quinta-feira (5), o secretário-geral assistente das Nações Unidas para Direitos Humanos, Ivan Simonovic, destacou a redução do número de países que continuam adotando a pena de morte ao longo dos últimos 40 anos.
Segundo a obra, denominada “Afastando-se da pena de morte: Argumentos, tendências e perspectivas”,97% dos países aplicavam a execução em 1975, enquanto 27% dos Estados seguem com essa prática em 2015. No entanto, de acordo com ele, o ano de 2014 apresentou um aumento de 28% do número de pessoas condenadas à morte.
“Isso representa um aumento da pena de morte para prevenir o terrorismo e crimes ligados à drogas nos Estados-membros”, completou.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que pessoas pobres, com deficiência mental e pertencentes a minorias são as que correm o maior risco de receber sentenças de morte, independentemente de serem culpadas ou inocentes.
No evento, Kirk Bloodsworth – o primeiro réu norte-americano condenado à execução que teve a pena revogada depois de evidências do teste de DNA – estava presente. Bloodsworth passou 8 anos, 10 meses e 19 dias na cadeia por um crime que não cometeu. Segundo ele, sua libertação não se deu por um acerto do sistema, mas por “uma série de milagres”.
Questionado sobre por que ele é contra a pena de morte, Bloodsworth respondeu: “É bem simples: se isso pode acontecer comigo, pode acontecer com qualquer pessoa; nos Estados Unidos ou em qualquer lugar. O que estou dizendo é que uma pessoa inocente pode ser executada e isso nunca deveria acontecer”.
