ONU: mesmo com interrupção de hostilidades, acesso a áreas sitiadas na Síria permanece difícil

Com o cessar de hostilidades amplamente adotado na Síria, a situação é “animadora”, mas áreas sitiadas permanecem particularmente vulneráveis, de acordo com um oficial humanitário sênior das Nações Unidas.

 

Imagem de área da cidade de Alepo, intensamente atingida pela guerra na Síria. Foto: UNESCO

Imagem de área da cidade de Alepo, intensamente atingida pela guerra na Síria. Foto: UNESCO

Com o cessar de hostilidades amplamente adotado na Síria, a situação é “animadora”, mas áreas sitiadas permanecem particularmente vulneráveis, de acordo com um oficial humanitário sênior das Nações Unidas.

“Quando as armas silenciam, isso imediatamente se traduz em um número de coisas positivas para as pessoas”, disse o coordenador humanitário da ONU para a Síria, Yacoub El Hillo.

“Eles são capazes de se movimentar e realizar suas atividades diárias de forma muito mais normal”, disse El Hillo, apesar de “muita anormalidade” provocada por cinco anos de conflito.

Quando questionado quais eram as necessidades humanitárias mais urgentes na Síria, ele respondeu: “todas”.

Cerca de 13,5 milhões de sírios têm necessidade de alguma forma de assistência e proteção, de acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Isso vai de vacinação de crianças de 5 anos ou menos, a fornecimento de abrigo, comida e água para os deslocados, apoiando a educação e programas de saúde, e criando oportunidades de emprego.

Essas são as coisas “que nos mantêm ocupados todos os dias”, disse El Hillo, completando que enquanto a Síria já esteve no caminho de se tornar um país de classe média alta, “hoje, 80% ou mais dos sírios são pobres, vivem com menos de 2 dólares por dia (…) e é por isso que existe uma enorme carência. E por conta da duração da crise, sua capacidade de cooperação  também erodiu.”

A situação é particularmente ruim em áreas sitiadas, onde muitas crianças permanecem fora do alcance de equipes de ajuda apesar do cessar de hostilidades fechado em 27 de fevereiro. Essas regiões incluem Madaya, Zabadani, Al Fouaa, Kifraya, no noroeste do país, como como áreas no oeste, como Deir ez-Zor, que é controlada pelo Estado Islâmico.

Em 10 de abril, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) confirmou ter conseguido entregar 26 paletes cheios de comida em plataformas presas em paraquedas preparados para grandes altitudes. O Crescente Vermelho Árabe Sírio conseguiu coletar ao menos 22 desses paletes para distribuir às famílias passando fome.

Rupturas do cessar de hostilidades

Falando em árabe em parte da entrevista, El Hillo pediu que as partes – seja o governo ou a oposição – acabem com o isolamento de Deir ez-Zor e de outras partes da Síria, o que ele chamou de violação à lei humanitária internacional que “precisa acabar”.

Yacoub El Hillo, coordenador residente humanitário da ONU para a Síria, discutiu os esforços das Nações Unidas para ajudar a população do país e explicou por que isso é chave para o desenvolvimento de longo prazo do país.

O atual cessar de hostilidades ocorreu por sete semanas, mas houve rupturas e violações.

Mesmo que essas rupturas sejam típicas desse tipo de acordo, El Hillo disse estar preocupado com a frequência das violações e o aumento de tais incidentes. “Tudo precisa ser feito para garantir que o cessar de hostilidades permaneça”, declarou.