No Conselho de Segurança, representantes das Nações Unidas alertam para abusos cometidos principalmente contra crianças e mulheres, mesmo com a perda do controle de territórios que o grupo armado tem sofrido.

Nigerianos no campo de refugiados Minawao, nos Camarões; milhares foram deslocados pelas atividades do grupo armado Boko Haram. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem
O impacto do grupo Boko Haram na Nigéria foi tema de uma reunião ocorrida nesta segunda-feira (30), na sede da ONU em Nova York, durante sessão do Conselho de Segurança da Organização.
Mohamed Ibn Chambas, representante especial do secretário-geral e chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental (UNOWA), descreveu relatos de sequestros, abusos, recrutamento e assassinato de crianças aos 15 membros do Conselho. Também participou da reunião a secretária-geral assistente da ONU e vice-chefe do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitárias (OCHA), Kyung Wha-Kang.
“Apesar de enfraquecido, o grupo continua a cometer atos horrendos contra civis, incluindo contra mulheres e crianças”, disse Chambas. “A recente aliança do Boko Haram com o Estado Islâmico para o Iraque e o Levante (ISIL), seja por razões publicitárias ou para receber apoio do grupo, é também preocupante porque é um claro sinal de que a agenda do Boko Haram vai muito além da Nigéria.”
Chambas elogiou a resposta dos países da Comissão da Bacia do Lago Chade, especialmente a ofensiva conjunta regional, que envolve tropas dos quatro países e que resultou na recaptura de várias cidades-chave no nordeste da Nigéria.
“No começo do ano, o Boko Haram controlava cerca de 20 distritos governamentais locais nos três estados no nordeste da Nigéria. Hoje, o Boko Haram tem apenas algumas áreas no estado de Borno. Além disso, segundo o exército nigeriano, a sede do Boko Haram em Gwoza foi capturada no dia 27 de março”, declarou Chambas.
Ele também relatou que, em 2014, o grupo começou a usar meninas para ataques suicidas em áreas urbanas populosas. E que há também “tendências alarmantes de crianças sendo usadas pelo grupo como escudos humanos”.
Cerca de 7,3 mil civis foram mortos pelo Boko Haram desde o início do ano passado, incluindo mil pessoas só em 2015, segundo Kyung Wha-Kang. Ela alertou para a situação no nordeste da Nigéria, onde pelo menos 3 milhões de pessoas não terão acesso às necessidades básicas depois de julho desse ano, se não houver ajuda humanitária, e que o trabalho das autoridades locais não é suficiente para suprir essas necessidades.
Segundo Kang, as atividades do Boko Haram criaram milhares de refugiados, repatriados e internamente deslocados no Chade, Camarões e Níger, com escolas e serviços de saúde seriamente afetados, bem como relatos frequentes de abuso dos direitos humanos.