Cinegrafista que gravava disparos a grupo de civis desarmados na Turquia é ferido e poderá ser preso após deixar hospital, acusado de integrar organização terrorista. ONU questiona condenações de jornalistas.

Foto: Flickr/Michał (cc)
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu às autoridades turcas nesta segunda-feira (1) respeito aos direitos humanos dos civis durante suas operações de segurança em Cizre e a investigação do tiroteio que ocorreu na localidade, direcionado a um grupo de pessoas desarmadas, registrado em vídeo.
O cinegrafista supostamente responsável pela gravação, Refik Tekin, ficou ferido e poderá ser preso depois de deixar o hospital. Neste momento, há um policial permanente fora do seu quarto durante sua recuperação. De acordo com o comissário de direitos humanos, relatos sugerem que ordens de custódia foram assinadas pelo governo e um procurador, acusando Tekin de fazer parte de uma organização terrorista separatista.
“Filmar uma atrocidade não é um crime, mas disparar contra um grupo de civis desarmados certamente é”, ressaltou Zeid. “É essencial que haja uma investigação profunda, independente, imparcial sobre isso e outros eventos que levaram os civis a serem feridos e mortos.”
No sudeste da Turquia, especialmente em Cizre, Silopi, Sur e a cidade de Diyarbakir, foi decretado o toque de recolher e estabelecido “zonas de segurança temporária”. As restrições têm afetado impactado severamente as pessoas, a economia e os serviços dessas localidades.
O alto comissário reconheceu que dificuldade das operações militares na região, observando que tinha recebido informação sobre a morte de 205 policiais e militares durante os confrontos.
No entanto, destacou que as autoridades devem tomar um grande cuidado na proteção dos direitos humanos durante as operações militares e de segurança. “Se um efetivo do Estado comete violações de direitos humanos, eles devem ser julgados”, sublinhou.
O vídeo mostra um grupo desarmado de civis, liderados por um homem e uma mulher, que seguravam bandeiras brancas. Eles levavam em um carro de mão pessoas feridas e mortas, quando começaram os disparos.
O representante da ONU mostrou sua preocupação em relação ao número “alarmante” de jornalistas, e outros operadores da mídia, condenados ou esperando julgamento. Para ele, a grande quantidade de casos leva a questionar o exercício do direito à liberdade de expressão no país, destacando que a lei antiterrorismo não deve ser usada como meio para abolir esse direito.
Zeid pediu ao governo para garantir que todas as ações feitas para combater o terrorismo sigam o direito internacional e respeitem os direitos humanos.