ONU: negociações de paz continuam no Iêmen; país enfrenta risco de desastre humanitário

Em sua atualização sobre as conversas de paz no Iêmen, o enviado das Nações Unidas para o país informou que as delegações das duas partes no conflito discutiram propostas para criar um diálogo entre suas respectivas posições, chegando a um consenso em alguns temas.  

O conflito tem prejudicado a segurança alimentar do Iêmen, que pode enfrentar uma situação de desastre humanitário caso medidas não sejam rapidamente tomadas, disse por sua vez a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Família deslocada pelo conflito no norte do Iêmen almoça em Al Mazraq, no Iêmen. Foto: OCHA

Família deslocada pelo conflito no norte do Iêmen almoça em Al Mazraq, no Iêmen. Foto: OCHA

Em sua atualização sobre as conversas de paz no Iêmen que ocorrem no Kuwait, o enviado das Nações Unidas para o país informou que as duas delegações discutiram propostas para criar um diálogo entre suas respectivas posições, atingindo um consenso em alguns temas.

“Estamos obtendo progressos, apesar de em um ritmo relativamente lento”, disse o enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, no sábado (14).

O enviado especial afirmou que os chefes das duas delegações e outros negociadores discutiram questões como arranjos de segurança e o processo político necessário para se chegar a um acordo.

Pedindo que todas as partes trabalhem rumo a uma solução compreensiva o mais rápido possível, o enviado especial enfatizou que as questões discutidas são complicadas, sendo imperativo que sejam tratadas com responsabilidade.

“As duas delegações têm importantes decisões a considerar nesse período crítico da história do Iêmen”, disse.

O enviado especial também se reuniu com diversos representantes políticos e diplomatas, que, segundo ele, reiteraram o apoio constante da comunidade internacional para o processo de paz no país.

Propostas na mesa

Na quarta-feira (11), o enviado havia afirmado que as partes estavam explorando uma proposta de libertação de metade de todos os prisioneiros e detidos mantidos pelas partes antes do mês do Ramadã — entre junho e julho. As delegações concordaram em desenvolver propostas detalhadas sobre esse tema nas próximas reuniões.

De acordo com o escritório do enviado especial para o Iêmen, o comitê político discutiu aspectos de uma retomada das instituições estatais e do processo político. No comitê de segurança, as partes iniciaram a apresentação de suas visões sobre retiradas e entrega de armas.

Em Nova York, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, disse que apesar de o conflito continuar em algumas partes do Iêmen, o cessar de hostilidades foi amplamente adotado no último mês.

Isso criou uma oportunidade para que os atores humanitários expandissem suas respostas em algumas áreas, realizassem avaliações e monitorassem diretamente as atividades que estavam sendo acompanhadas remotamente, disse Dujarric.

Na província de Saada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) conseguiu retomar o funcionamento de uma unidade de água no distrito de Kitaf que tinha sido danificada por ataques aéreos, atendendo cerca de 10 mil pessoas. O cessar de hostilidades também coincidiu com a distribuição de comida para cerca de 270 mil pessoas na região.

Ameaça de desastre humanitário

A situação de segurança alimentar e de nutrição no Iêmen pode virar um desastre humanitário a menos que financiamento urgente seja destinado à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para entregar ajuda durante a temporada de semeadura de cereais e vegetais em abril e maio e de pesca no verão, além de vacinar o gado antes do inverno, alertou a agência da ONU na semana passada.

Cerca de 14,4 milhões de pessoas — aproximadamente metade da população do Iêmen — precisa urgentemente de segurança alimentar e assistência para subsistência, disse a FAO. O volume de alimentos necessários no Iêmen é maior do que o volume que os atores humanitários podem fornecer. A agricultura precisa ser parte integral da resposta humanitária para evitar que a situação de segurança alimentar no Iêmen piore, alertou a agência da ONU.

Entre os fatores que estão prejudicando a segurança alimentar no país está um surto de gafanhotos no deserto, que ameaça a subsistência de mais de 100 mil agricultores, criadores de abelhas e pastores em cinco províncias, além das cheias de abril, que colocaram 49 mil pessoas em necessidade de assistência urgente, disse a FAO.