ONU: negociações de paz no Iêmen continuam apesar de violações ao cessar-fogo

O enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen confirmou que as negociações de paz continuam apesar de violações ao cessar-fogo ocorridas na quarta-feira (4), descritas por ele como “preocupantes”.

Crianças deslocadas no Iêmen em 2012. Foto: ACNUR

Crianças deslocadas no Iêmen em 2012. Foto: ACNUR

Em sua atualização sobre as conversas de paz no Iêmen que ocorrem no Kuwait, o enviado especial das Nações Unidas para o país confirmou que as negociações continuam apesar das violações ao cessar-fogo na quarta-feira (4), descritas por ele como “preocupantes”.

“As conversas de paz continuam, estamos determinados em chegar a um acordo e esse compromisso não vai diminuir com o tempo”, disse a jornalistas o enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, em coletiva de imprensa no Kuwait.

“Estabelecemos com as duas delegações que o comitê de coordenação irá investigar os confrontos em terra e nos dará informações detalhadas com o objetivo de proteger as conversas de paz dos desenvolvimentos diários em terra”, disse.

Enfatizando a forte ligação entre a situação de segurança no Iêmen e o processo político, Cheikh Ahmed disse que as tensões ocasionais em terra não podem obstruir as conversas de paz.

“Esperamos que a atmosfera positiva nas conversas seja também refletida na situação de segurança. Como já disse antes, o único caminho para solucionar o conflito no Iêmen é por meio de um acordo político”, disse.

“Houve uma série de infrações ao cessar de hostilidades na quarta-feira, e isso é preocupante. Estamos sendo cuidadosos ao acompanhar o tema entre as partes com o apoio da comunidade internacional”, acrescentou.

Para impulsionar as conversas adiante, as delegações se reuniram na quinta-feira (5) em três grupos de trabalho. Esses grupos começaram as consultas sobre questões políticas e de segurança, além de questões relacionadas a presos e detidos.

Informações da ONU indicam que o cessar de hostilidades aumentou a capacidade das agências humanitárias conduzirem suas atividades para entregar ajuda de forma efetiva. Na província de Taiz, por exemplo, água potável foi distribuída e grupos de saúde foram estabelecidos para acompanhar casos e fornecer serviços.

Na província de Hajjah e Al-Jawf, diversas campanhas de proteção às crianças foram lançadas. Além disso, voluntários e especialistas tem oferecido apoio psicológico e cerca de 9 milhões de deslocados internamente receberam ajuda alimentar.

“Não há dúvida de que o nível das necessidades humanitárias excede aquilo que foi dado, mas é importante reconhecer que mais ajuda está chegando. Esperamos que as agências humanitárias consigam progredir nos próximos dias. Pedimos que todos os lados (do conflito) facilitem as operações dessas agências em todas as províncias”, disse Cheikh Ahmed.

Enfatizando que a participação das mulheres iemenitas é vital para avançar nas conversas de paz, o oficial da ONU anunciou que sete líderes chegaram ao Kuwait na semana passada. Elas devem se reunir com uma série de interlocutores para pedir um acordo político.

“As mulheres pretendem entregar medidas e mensagens compreensivas às duas delegações e à comunidade internacional”, disse. “Não há dúvida de que o papel delas permanecerá vital e seus argumentos centrais para nossos esforços nas próximas fases de reconstrução.”