Mais de 50 especialistas de 12 nacionalidades se reúnem no Rio de Janeiro para avançar nos critérios científicos que irão orientar os países da ONU nas novas metas de desenvolvimento pós-2015.

Foto: UNIC Rio/Felipe Siston
Mais de 50 especialistas, de 12 nacionalidades, entre representantes de governo, da academia e de organizações internacionais começaram um debate nesta segunda-feira (27), no Rio de Janeiro, para avançar nos critérios científicos que irão orientar os países membros das Nações Unidas nas novas metas de desenvolvimento pós-2015.
O Seminário “Indicadores de Justiça e Violência para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015” – uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) – faz parte da redefinição das metas das Nações Unidas para substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e incluir, na agenda futura, temas como a segurança cidadã e humana.
“O desafio agora é resumir em indicadores e definir a natureza desse compromisso político que os países vão adotar para melhorar a condição de paz e segurança como condição essencial para o desenvolvimento humano”, disse o coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e representante-residente, Jorge Chediek, que participou da abertura do evento.
Desafio
De acordo a pesquisadora Fátima Marinho, que apresentou dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), alguns países ainda enfrentam dificuldades em registar números de violência.
Em algumas nações africanas, segundo ela, estima-se que apenas 10% dos homicídios sejam registrados. O sub-registro também afeta países das Américas, onde nos últimos dez anos 1,15 milhão de pessoas foram assassinadas. Venezuela e Paraguai, por exemplo, apresentam valores de sub-registro próximos de 30%.
“Como trabalhar isso, algumas sugestões especialmente de melhoria da capacidade nacional, de aumento da capacidade de captar e de classificar, e aumento da capacidade nacional de investigar.”
O seminário termina nesta terça-feira (28) e ainda terá outros temas em pauta. A diretora do Departamento de Segurança Pública da OEA, Paulina Duarte, apresenta os próximos temas. “Vamos ainda debater no seminário, além do tema de vitimização, que é extremamente importante como um indicador de violência e justiça, novas técnicas de coleta de dados e análises em violência e segurança pública.”
Como explica o chefe da equipe do Departamento de Prevenção e Recuperação de Crises (PNUD), Samuel Doe, o propósito do encontro é fazer a conexão entre o debate científico e os realizadores de políticas. “Esses objetivos devem ser mensuráveis, efetivos, devem servir para avaliar a performance dos Estados.”
O encontro ocorre na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), no campus de Manguinhos da Fiocruz, e contou com a presença da secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça do Brasil, Regina Miki, do diretor do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+), Rômulo Paes, e do presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.