ONU parabeniza decisão da UE de acolher 120 mil refugiados

“O plano de remanejamento não vai pôr fim ao problema, mas é o começo de uma solução”, afirmou António Guterres, alto comissário do ACNUR

Dois jovens refugiados esperam seus pais em um centro de emergência na Áustria, país que está recebendo um grande número de refugiados da Síria, Iraque e Afeganistão. Foto: ACNUR/F. Rainer

Dois jovens refugiados esperam seus pais em um centro de emergência na Áustria, país que está recebendo um grande número de refugiados da Síria, Iraque e Afeganistão. Foto: ACNUR/F. Rainer

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) parabenizou a decisão da União Europeia de acolher e realocar 120 mil imigrantes entre todos os seus países-membros, além de planejar aumentar o número de recursos humanitários e assistência aos países vizinhos à Síria.

Para António Guterres, alto comissário do ACNUR, o plano não é a solução dos problemas, mas o começo do caminho. O representante da ONU afirmou estar decepcionado com a falta de meios legais para os refugiados chegarem salvos ao continente europeu, pedindo “um rápido aumento nas oportunidades legais” para que os refugiados não precisem contar, como último recurso, a traficantes de seres humanos, arriscando-se em jornadas perigosas no Mediterrâneo.

Ele acrescentou que o plano de remanejamento dos refugiados apenas funcionará se outras medidas forem adotadas paralelamente, como construção de centros de atenção aos refugiados em países de entrada ao continente. Estes devem estar preparados para receber, em média 5.000 pessoas diariamente que fogem de conflitos ou condições de vida adversas em seus países.

O comissário pediu mais medidas para facilitar o asilo de refugiados e afirmou que sem ações que toquem diretamente o problema, não haverá solução. “Tantas emergências relacionadas a refugiados no Oriente Médio e África se encontram em uma situação deplorável em relação aos seus fundos, deixando os refugiados em condições terríveis, o que leva muitos a optarem por seguir adiante. As pessoas continuarão a buscar segurança e sobrevivência em outros lugares se as causas do deslocamento forçado não forem resolvidas”, pontuou Guterres.