Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, deu uma palestra no final de setembro sobre coordenação civil-militar no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), na cidade do Rio de Janeiro. Curso integra preparação para atuação nas forças de paz.

Foto: CCOPAB
Na última quarta-feira (27), o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, deu uma palestra sobre coordenação civil-militar no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), na cidade do Rio de Janeiro.
A apresentação, parte de um curso de uma semana sobre coordenação civil-militar em operações de paz, foi assistida por mais de 50 pessoas, incluindo oficiais militares e policiais do Brasil e de outros países da América Latina, pesquisadores do campo das relações internacionais e funcionários do Ministério da Defesa do Brasil.
A palestra contou também com a participação do major Abraham Biwot, funcionário da unidade de formação do Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (DPKO), que será o responsável de avaliar o curso para eventual reconhecimento institucional como parte da formação de oficiais antes de participar em operações de paz.
Durante sua apresentação, o diretor do UNIC apresentou os conceitos de coordenação civil-militar humanitária das Nações Unidas (UN-CMCoord), uma doutrina liderada por atores humanitários que trata do diálogo essencial entre o pessoal humanitário e órgãos militares em operações de paz. Os objetivos são respeitar e promover os princípios e o espaço humanitários, evitar fricções ou competição, assegurar a distinção e trabalhar em conjunto em prol de objetivos comuns.
“É importante enxergar não só as obrigações negativas de ‘não atrapalhar’, mas também as obrigações propositivas”, disse Giuliano. “Os âmbitos onde se deve trabalhar em conjunto são enormes: proteção de civis, acesso humanitário, apoio logístico, etc.”
O diretor do UNIC Rio lembrou os conceitos de coordenação civil-militar liderada por militares, chamada de “UN-CIMIC”, no caso das Nações Unidas, explicando a diferencia entre UN-CIMIC e UN-CMCoord. Também apresentou os diferentes conceitos nesse âmbito: o CIMIC da ONU (UN-CIMIC), o CIMIC da OTAN e o CIMIC africano.
Destacou que, no caso do UN-CIMIC, os militares respondem a objetivos com liderança civil, tendo em vista que a ONU prioriza o diálogo político e as soluções pacíficas antes de utilizar a força como última instância.
Giuliano, que já chefiou o Escritório Provincial das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na cidade de Bunia, na República Democrática do Congo, e a área de proteção de civis na Missão da ONU no Mali, falou de sua experiência nesses países. Ele destacou o papel essencial dos militares em levar a paz àqueles países e a outros, e a importância de trabalhar em coordenação com os atores humanitários para alcançar objetivos comuns.
“Afinal, humanitários ou militares, todos estamos lá com o mesmo objetivo: acabar com os conflitos e com a pobreza, os quais infelizmente vão frequentemente juntos”, concluiu Giuliano.