Novo plano quer prevenir que a próxima seca se torne uma grande crise humanitária. O crescimento populacional na região supera a produção de alimentos.

A nova campanha pretende romper com o ciclo de fome e vulnerabilidade causados pela seca na região do Sahel. Foto: OCHA/D.Ohana
As Nações Unidas e parceiros globais humanitários pediram, nesta segunda-feira (3), 2 bilhões de dólares em nome de cerca de 20 milhões de pessoas desesperadas por comida na região do Sahel, na África, onde a violência e a insegurança criaram deslocamentos prolongados e onde o crescimento populacional supera a produção de alimentos.
“Mais pessoas do que nunca estão em risco no Sahel e a escala de suas necessidades é tão grande que nenhuma agência ou organização pode resolver sozinha”, afirmou a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e Coordenadora de Ajuda Humanitária, Valerie Amos, durante o lançamento da campanha, na Itália.
“O plano estratégico para a região vai nos ajudar a alcançar milhões de pessoas com ajuda vital, construir resiliência e salvar vidas”, complementou Amos.
O Sahel vai da Mauritânia, no oeste, até a Eritreia, no leste – um vasto cinturão dividindo o deserto do Saara e as savanas ao sul e que já passou por três grandes secas em menos de uma década.
Mais de 20 milhões de pessoas estão em risco de fome e um número estimado de 5 milhões de crianças com menos de 5 anos correm o risco de malnutrição aguda.
A região inclui países onde os conflitos forçaram cerca de 1,2 milhão de pessoas a fugir, incluindo o Mali, Nigéria, Sudão e a República Centro-Africana, alertou o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
A prioridade é garantir que os agricultores na região tenham uma época de plantio bem-sucedida nas próximas semanas, explicou o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva. Ele acrescentou que o objetivo geral é construir resiliência na população do Sahel para prevenir que a próxima seca se torne uma grande crise humanitária.
A estratégia de três anos – que inclui planos para Burkina Faso, Camarões, Chade, Gâmbia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria e Senegal – enfatiza uma forte parceria com governos e parceiros de desenvolvimento, em uma perspectiva regional e dentro de um prazo de muitos anos para lidar melhor com as causas crônicas da crise.